sexta-feira, 18 de julho de 2014
#1311 Governo nomeia 258 auditores fiscais
Após uma agenda sistemática de cobrança do deputado federal Amauri Teixeira (PT/BA), finalmente, no dia 22 de maio de 2013, a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, publicou no Diário Oficial da União a Portaria que autorizou a nomeação de 258 aprovados no concurso para Auditor-Fiscal. A Portaria, estabelece que serão nomeados os 200 candidatos aprovados para Auditor e mais 58 excedentes.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Quem te viu
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
E agora, José Serra?
Sócrates Santana*
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Um engano de Samuel Celestino
Ao contrário do comentário do renomado jornalista baiano, um comício não é um local apenas para arrancar risos da platéia. Em qualquer parte do mundo, mas, especialmente, na Bahia, a realização de um comício define quem tem força, apoio político e popular.
Ao longo dessas eleições, nenhum comício liderado pela candidatura de ACM Neto aconteceu. O mais perto de uma reunião pública de massa ocorreu em Plataforma. O próprio jornal de propriedade da família Magalhães ironizou a realização de um "comício" improvisado no Subúrbio pelo candidato do DEM. A partir da constatação de que ACM Neto não promoveu um único comício, o óbvio de qualquer comentário sobre o assunto "comício", seria avaliar e julgar os motivos da campanha do Democratas ignorar um dos eventos mais utilizados para arregimentar e conquistar multidões.
Desde que política é política, a realização de comícios simboliza força, apoio popular e político, dentro e fora do palanque. É - portanto - opaco e estranho o comentário de Samuel Celestino. Talvez, nenhum outro jornalista ou repórter em atividade no estado, possua mais experiência e sensibilidade para observar a lacuna ou ruptura no modo de construir uma candidatura à prefeito da capital baiana realizada por ACM Neto.
Antes de um observador mais apressado definir como uma simples opção de método ignorar a realização de comícios ao longo da campanha é preciso demarcar uma questão: não é comum. E não é comum porque os comícios sempre foram utilizados como balizadores, termômetros de um quadro eleitoral prático, visível e palpável. E não realizar um comício demonstra para o leitor mais afoito fraqueza.
No caso de ACM Neto, mostra que a sua candidatura não tem apelo popular. Não pode ser escutada nas ruas. É uma candidatura artificial, construída dentro de um estúdio refrigerado. A realização de um comício contrairia totalmente o cárater de uma campanha marcada pelo distanciamento do público e de um programa de governo que prevê uma administração organizada dentro de escritórios e gabinetes. Uma prefeitura concebida pelas mentes brilhantes de "alguns escolhidos", que "sabem" o que o povo precisa sem consultar o povo.
Outro ponto que não pode ser ignorado é o valor simbólico da presidenta da República possuir um posicionamento público claro sobre quem é o seu candidato preferido em Salvador. Ninguém pode empalidecer a principal fonte de observação de qualquer comentarista político: os gestos. Assim como é simbólico o apoio do ex-prefeito Antônio Imbassahy e do atual prefeito João Henrique para o candidato ACM Neto, ninguém pode atrofiar o papel desempenhado por Mário Kertész e Márcio Marinho para a vitória de Nelson Pelegrino. Não realizar um comício significa também ocultar mais um calcanhar de Aquiles ou esconder alguém. Significa ter ou não ter um palanque com representação política e popular.
Por fim, ignorar o poder de uma massa de eleitores concentrada no maior bairro popular de Salvador é no mínimo um lapso. O baixo desempenho nas urnas do último candidato petista as eleições de Salvador (2008), o atual senador Walter Pinheiro, no bairro de Cajazeiras, virou um fato para a história eleitoral da Bahia. O espólio político herdado do pai, João Durval, pelo filho, João Henrique, no bairro, é apontado como fator determinante para a vitória de João e derrota de Pinheiro.
Sem acidez, mas, pontuando apenas o que acredito ter sido um engano de Samuel Celestino, concluo minimizando o tamanho das declarações pequeninas de Dilma Rousseff sobre o candidato do Democratas, ACM Neto. Definitivamente, "Salvador não pode ter um governinho". E quem disse não fui eu. Foi a presidenta da República para milhares de pessoas no maior bairro popular de Salvador.
*Sócrates Santana é jornalista.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
O falso profeta
A capital baiana não precisa de um salvador da pátria. É extremamente prejudicial para a democracia a postura messiânica adotada pelo candidato do DEM. Ele não pode governar sozinho. O comportamento de ACM Neto é apocalíptico, maniqueísta e auto-destrutivo. Põe a população soteropolitana dentro de um fogo cruzado entre as esferas governamentais, anunciando um clima de disputa institucional com o governador Jaques Wagner.
Não é a possibilidade de um outro partido além do PT administrar Salvador que assusta, mas, o risco deste partido ser o DEM de ACM Neto. São poucos os municípios baianos administrados pelo Democratas na Bahia e no Brasil. Nessas eleições, o partido elegeu apenas 9 prefeitos. E o baixo desempenho eleitoral é resultado de uma política de isolamento e acirramento político permanente com os governos estadual e federal.
Outros municípios, mesmo sendo administrados por partidos de oposição ao governo estadual, conseguem desenrolar a relação entre prefeitura e estado. E o motivo é óbvio: não demarcam posições políticas, mas, simplesmente compartilham responsabilidades institucionais.
Se o governo estadual constrói um hospital dentro de uma área sem linhas de ônibus disponível, por exemplo, resta a prefeitura o papel de assegurar as condições necessárias para o equipamento funcionar plenamente, garantindo a expansão da rede pública de transporte até o local. Se isso não ocorre, quem perde é a população. O hospital é inaugurado, mas, não possui qualquer serventia, porque, um dos entes da federação não cumpriu a sua parte.
Diferente da oposição realizada pelo PT, o DEM não tensiona com os governos petistas a partir do engajamento da sociedade civil organizada. Não possui relação sindical, nem tão pouco com os movimentos populares. Nitidamente, o DEM não é um partido de massa. Ou seja: o DEM não comporta dentro de si a vontade popular, porque, ignora organicamente a participação popular. É um partido construído dentro da burocracia institucional - fora do domínio da população. Por conta deste alheamento, o DEM de ACM Neto é uma ameaça para a democracia participativa, inclusiva e socialmente envolvida pela esfera pública.
A população não deseja um governo dos "melhores", a chamada meritocracia batizada por ACM Neto. As pessoas não querem que as decisões sejam tomadas dentro de escritórios refrigerados e gabinetes gelados. ACM Neto personifica a profissionalização da política, a divisão de tarefas e a gestão de uma cidade espartana, excludente e, portanto, autoritária.
O atual estágio caótico da capital baiana requer mais participação, envolvimento e sentimento de pertencimento. As pessoas querem e precisam participar dos problemas da cidade. Não adianta arrotar auto-suficiência, nem ludibriar a opinião pública com frases de efeito e oratória hipnótica. O próximo Carnaval de Salvador não pode ser macardo pelo bloco do eu sozinho.
*Sócrates Santana é jornalista e assessor do deputado federal Amauri Teixeira.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
São João + 20
quinta-feira, 14 de junho de 2012
O partido das divididas
terça-feira, 5 de junho de 2012
A força das velhas idéias
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Quem não tem colírio
O senador Demóstenes Torres continua sendo um parlamentar do DEM. Não é o apagar das luzes de uma CPMI que vai retirar do partido o estigma do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira. Nem tão pouco, a expulsão de um filiado do alto escalão. Não adianta esparramar, ameaçar jogar merda no ventilador. É o DEM quem está metido nesta investigação até a cabeça, bem como, os cúmplices do DEM. Entre eles, o deputado federal ACM Neto.
A condição de líder do partido na Câmara Federal exige do herdeiro político do senador Antônio Carlos Magalhães mais explicações sobre o envolvimento do seu partido com o jogo do bicho. Afinal de contas, Demóstenes Torres era o líder do DEM no Senado Federal quando uma cachoeira de denúncias surgiu a partir de escutas telefônicas, que revelavam a ligação entre o senador do DEM e crimes de contrabando, exploração de jogos de azar, corrupção e lavagem de dinheiro. É inútil impor para a sociedade a ideia de moralidade. Cada sinal ou gesto, soam falsos quando o personagem em foco é um membro do DEM. Ou seja: se tem um partido que representa bem a corrupção é o DEM. E não falo isso apenas como baiano, porque, como todos sabem, tem coisas que só se viu na Bahia de ACM.
Vão surgir ao longo das investigações da CPMI - que já começou antes mesmo da instalação oficial - denúncias contra figuras públicas, a exemplo do senador Aécio Neves (PSDB). Não é segredo para ninguém o conflito dentro do ninho tucano entre o paulista José Serra e o mineiro Aécio Neves. A primeira notícia pública diz respeito à nomeação de Mônica Beatriz Silva Vieira para um cargo no governo de Minas Gerais, atendendo a um pedido do então líder do DEM no Senado Federal, Demóstenes Torres. Ela é parente do Carlinhos Cachoeira. Ao contrário de declarações recentes do ex-prefeito paulista, quem costumeiramente utiliza de métodos fascistas é o DEM e os seus cúmplices. Talvez, um dia, antes do DEM pendurar as botas, o ministro das privatizações possa filiar-se ao partido do neonazista, Jorge Bornhausen.
Talvez, a CPI em questão seja encarada como uma revanche do PT. É o partido que possui o maior número de assinaturas da CPMI, logo, o raciocínio lógico seria que o PT seja o maior interessado nas investigações. Volta e meia vão aparecer suposições sobre a conduta dos petistas ao longo do inquérito, comparações que vão tentar desqualificar a atuação do partido, bem como, a acusação de politização de uma comissão essencialmente política. É o que é e o que será esta CPMI. Queiram ou não, apresentem ou não parecer paralelo no final da CPMI, a relatoria é do PT. E, se tem um partido que vai sentir em proporções nunca vista antes na história do Brasil cada denúncia e inquérito é o DEM. E não adianta usar óculos escuros.
*Sócrates Santana é jornalista.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Três homens em conflito
Sócrates Santana
Não é faroeste, mas, a eleição de Jacobina virou um roteiro digno de Clint Eastwood. De um lado, o coronel, o cativo, o ex-prefeito do município, Leopoldo Moraes Passos (PDT). Do outro, o médico, o inelegível, o outro ex-prefeito, Rui Macedo (PMDB). Mais adiante, o comunista, o nativo e deputado federal, Amauri Teixeira (PT). Entre eles, uma mulher: a atual prefeita, Valdice Castro (PP).
A corrida sucessória na cidade do ouro está longe de virar uma disputa para quem fica com a mocinha. A dama, no caso, a prefeita, responde pela vontade política do patriarca, o ex-prefeito e marido, Leopoldo. E ponto. Ou seja: apesar da candidatura a reeleição ser da mulher, é o senhorzinho quem faz os acordos e as alianças do jogo sucessório local.
O ex-prefeito tem um gatilho rápido. Sem pestanejar, conseguiu construir um cenário eleitoral para nenhum pistoleiro colocar defeito. Atiraram para todos os lados. Em 2010, Leopoldo e Valdice, ambos filiados ao DEM, fecharam uma conta um pouco difícil de bater. Mas, política não é matemática.
Ela, Valdice, apoiou Jaques Wagner. Ele, Leopoldo, apoiou Paulo Souto. Ambos apoiaram para deputado federal Jorge Khoury (DEM) e para deputada estadual Eliana Boaventura (PP), além do candidato ao senado, José Carlos Aleluia. Com exceção do governador dos baianos, todos os candidatos apoiados pelo casal “jacu” perderam.
Após o processo eleitoral, ambos, Leopoldo e Valdice, saíram do DEM e migraram para partidos da base aliada do governador Jaques Wagner, respectivamente, PDT e PP. Enquanto isso, os dois principais responsáveis pela derrota do status quo local, Amauri Teixeira e Rui Macedo, ambos aliados dos governos petistas, seja no âmbito nacional, seja no âmbito estadual, assistem consternados a manobra desconcertante do último coronel do ouro.
Unidos, Amauri e Rui, obtiveram 50% dos votos válidos das eleições proporcionais de Jacobina. O petista conseguiu conquistar uma cadeira na Câmara Federal, sendo o deputado mais votado do município. O peemedebista não conseguiu uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia, mas, obteve praticamente a mesma votação do eleito, Amauri Teixeira. Teoricamente, o palanque das oposições em Jacobina estaria montado. Mas, a teoria, na maioria das vezes, na prática é outra.
Sem o aval ainda dos irmãos, Geddel Vieira Lima e Lúcio Vieira Lima, o ex-prefeito Rui Macedo não fechou nenhum acordo com a candidatura petista. Talvez, Jacobina, seja a única cidade-pólo capaz de reunir no mesmo palanque PT e PMDB na Bahia.
Após superar a dificuldade de unificar as oposições em Jacobina, a próxima tarefa será definir com quem o governador Jaques Wagner irá subir no palanque. Afinal de contas, numa história onde o coração da mocinha já tem dono, resta aos cowboys disputarem com quem fica a cidade.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A última vareta
O legislativo baiano é a última vareta. Quem já brincou com este jogo sabe do que estou falando. Com a ascensão do ex-deputado estadual Zilton Rocha até a presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) restou apenas a Assembleia Legislativa da Bahia. Visto de longe pela opinião pública, o deputado estadual Marcelo Nilo (PDT), aparentemente, não percebe o cordão de isolamento montado ao seu redor.
É minado lentamente. Um pouco por dia. De um lado, o presidente da União dos Prefeitos da Bahia (UPB), Luiz Caetano. O prefeito de Camaçari faz o dever de casa do partido. Caetano segue a risca a cartilha do governador. Avança, principalmente, no terreno inimigo. Como diria o professor Rômulo Almeida, sangra o adversário por dentro. Em sintonia com o recém empossado secretário da Casa Civil, Rui Costa, o presidente da UPB organiza e planeja a ação municipal da base aliada nas eleições de 2012.
Enquanto isso, do outro lado, um staff composto pelo líder do governo, Zé Neto, o líder do PT, Yulo Oiticica, e os demais parlamentares petistas. Ao todo, 14 deputados escondidos pelos os holofotes das eleições municipais. Sem alarde, reaproximam a base aliada, especialmente, o PSD e o PP, dentro do parlamento baiano sob o argumento das alianças locais. Devagar, o governador tira todas as varetas sem se tocarem. E, pouco a pouco, alguém vai ficando sozinho, acompanhado pela solidão que o trai até o último fio de cabelo. Aí, vira uma inútil batalha em que você está certo de fazer o papel de vencido.
Portanto, não será nenhuma surpresa assistir a alternância de poder no legislativo baiano. Talvez, não seja um presidente petista. Talvez, seja necessário até mesmo ceder a liderança do governo para um aliado mais próximo, comprometido com a estratégia de eleger um governador do PT. Mas, certamente, o próximo não será Marcelo Nilo. Porque, ou se é governador ou se é presidente da Assembleia. Ou seja: não é possível desvendar as miudezas das eleições municipais ao mesmo tempo que se decifra os sons dos corredores e da sala do cafezinho. São mundos iguais, porém, cheios de idiosincrasias próprias. E um só, não pode lidar com tantas varetas assim. No fim, se ver nu e só, acreditando que está combatendo alguma coisa que não existe, que é um delírio de sua cabeça.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O dono do jogo
O jogo sucessório começou a soar o seu brado retumbante na Bahia. Degrau por degrau, a fila da sucessão, como anunciou o ministro Afonso Florence, vem sendo construída aos poucos por Jaques Wagner. A saída de Eva Chiavon, o retorno de Rui Costa e o ingresso de José Sérgio Gabrielli, organizaram as cartas das eleições de 2014. Ao menos, o jogo nas mãos do governador. E ele ainda possui três cartas escondidas, entre elas, Moema Gramacho e Walter Pinheiro.
Por um lado, a prefeita de Lauro de Freitas consolida a sua sucessão com as próprias mãos. Filiou o vice-prefeito no PT e pode sair da prefeitura sem maiores perdas para assumir uma secretaria, a exemplo da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza. No caso, o vice, João Oliveira, seria o candidato a reeleição e o atual secretário Carlos Brasileiro substituído por Moema para disputar as eleições de Senhor do Bonfim.
Por outro, o senador Walter Pinheiro. Em baixa, ante o ingresso de Rui Costa e José Sérgio Gabrielli, o primeiro senador petista no estado, desceu alguns degraus da escada montada por Jaques Wagner. Ainda assim, continua sendo uma alternativa viável, apesar de cada vez menos consultado pelos demais jogadores, especialmente, dentro do PT.
Aparentemente, os demais partidos aliados estão fora do baralho. Aparentemente, falta o governador combinar o jogo com os russos. Aparentemente, ainda resta uma carta para fechar a conta de Jaques Wagner. Mas, as aparências enganam. Ninguém está fora. Todos estão dentro.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Quem? Pelegrino? Isolado? Besteira!
Sócrates Santana
O deputado federal Nelson Pelegrino (PT) não está isolado. E quem insinua ou repercute tal asneira ignora totalmente o atual cenário de governabilidade do país e do estado. Primeiro, porque, o chamado “modelo petista” está em plena ascensão no país e nos municípios. Segundo, porque, o nome do parlamentar petista conseguiu unificar de maneira antecipada o partido mais heterogêneo da base aliada do governador Jaques Wagner: o próprio petê. Ou seja: seja o DEM, seja o PMDB, quem possui uma candidatura com a capacidade de dialogar com mais partidos que o PT?
Sem prévias, o candidato que a militância petista escolheu - consensualmente - para representar o partido nas próximas eleições municipais tem o apoio de um governador, um senador, 10 deputados federais, 14 deputados estaduais e 7 vereadores. Quem entre todos os candidatos possui maior representatividade partidária na Bahia?
E mais: nem o PMDB, nem o DEM, apontam um arco de alianças capaz de arregimentar tantos partidos num único projeto eleitoral. Por um lado, o DEM está enjaulado ao inexpressivo PSDB baiano, que ainda carrega consigo a pecha malograda do tucanato nacional. Por outro, o PMDB sofre de uma esquizofrenia shakespeariana - politicamente - sem solução: estou na situação ou na oposição, eis a questão?
Ainda resta salientar a falta de opção dos demais partidos que projetam suas candidaturas, a exemplo do PcdoB e do PSB. A foice comunista incita uma rebelião ancorada no PSB, mas, só. O martelo, entretanto, apenas será batido se a senadora socialista, Lídice da Mata, contrariar uma estratégia arquitetada pelo governador pernambucano, Eduardo Campos. Um gesto precipitado dela para afagar o descontentamento do PCdoB coloca em risco um projeto de longo prazo projetado pela cúpula nacional do partido, que inclui o quarto colégio eleitoral do país.
Se sair, o PCdoB desfilará no bloco do eu sozinho, já que não consegue absorver o PP, nem o PRB, nem o PDT. Caso atraía a adesão do PMDB baiano, por exemplo, também coloca o pé para fora do governo petista. É um rompimento que, talvez, o próprio PT gostaria que ocorresse.
Aos demais partidos, PDT, PP, PRB e PTB, nenhuma outra alternativa. Resta a adesão, conflagrando entre eles a disputa pela vice de Nelson Pelegrino, porque, a desistência do deputado federal Marcos Medrado (PDT), a incompatibilidade doutrinária entre o PRB e os demais aliados, assim como, o beco sem saída da administração tampão do PP na prefeitura de Salvador, levam o rio para uma única direção: o mar vermelho do PT.
Por fim, a candidatura do deputado federal Nelson Pelegrino não está isolada, porque, apesar de toda a contrariedade dos demais com a aparente onipresença petista, nenhum deles consegue enxerga no outro um espelho que reflita os seus interesses tão bem quanto o principal objeto das suas discórdias: o PT. Talvez, o maior desafio do nome petista esteja – exatamente – na inversão de posições das peças do atual tabuleiro da base aliada. E para tal, possui uma carta na manga chamada PSD. E se o PSD inflamasse os demais, não abrindo mão da vice? Sem dúvida, isso colocaria em evidência as verdadeiras cartas na mesa.
*Sócrates Santana é jornalista e responsável pelo perfil no twitter @SocrateSantana
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Cento e dez anos de Prêmio Nobel
Deixando as exceções de lado, não ganhamos um Nobel de ciências porque nunca merecemos. E nunca merecemos por quê? Será porque o Brasil nunca teve capacidade econômica para investir maciçamente em pesquisa, como nos países da Europa e os Estados Unidos? Ou faltou sabedoria política como a demonstrada pelos indianos, coreanos, que apesar de todas as suas dificuldades, investem tradicionalmente em pesquisas. Uma outra explicação para a falta de um brasileiro na longa lista dos Nobel, entretanto, é o número ainda pequeno de cientistas nos Pais. Quanto maior o número de pessoas desenvolvendo a mesma atividade coletivamente, maior a chance de surgir um gênio. Não é à toa que Pelé nasceu no Brasil.
No próximo dia 10 de dezembro, o Rei Carl XVI Gustaf e a Rainha Sylvia (brasileira), da Suécia, entregarão aos vencedores do prêmio Nobel de 2011 a soma US $ 1,5 milhão de dólares para cada uma das seis modalidades: MEDICINA, Bruce Beutler (USA), Ralph Steinman (Canadá), Jules Hoffmann (Luxemburgo), pela descoberta das células dendríticas, pela descoberta relacionada com a ativação da imunidade inata. FÍSICA: Saul Perlmutter, Brian Schmidt, Adam Riess (todos norte-americanos), descobriram conjuntamente através da observação de supernovas distantes que o universo esta se expandindo a uma velocidade acelerada. QUÍMICA: Dan Schechtman (israelita), pela descoberta dos "quase cristais". LITERATURA: Tomas tranströmer (sueco), pelo conjunto da sua obra e porque através das suas imagens condensadas e translúcidas, dão acesso à realidade. PAZ: Três mulheres do continente africano foram laureadas, Ellen Johnson Sirleaf (Libéria), Lexmach Growee (Libéria), Tawakkul Karman (Iêmen), pela luta pacífica em defesa da segurança e dos direitos humanos das mulheres na plena participação da construção da paz. ECONOMIA: Thomas Sargent e Christopher Sims (ambos norte-americanos), pela investigação empírica e efeito na macroeconomia, ou seja: Por terem desenvolvido métodos para responder a questões sobre a relação causal entre a política econômica e diferentes variáveis macroeconômicas, com o produto interno bruto (PIB), emprego, inflação e investimentos.
É lamentável que nesses cento e dez anos de existência do prêmio Nobel, o Brasil ainda não tenha conquista o seu Nobel. É importante ressaltar a importância do prêmio Nobel, não só pelo seu significativo valor em dinheiro, mas, sobretudo, como "termômetro" onde indica a qualidade da ciência, da literatura, da luta pela paz no mundo que cada povo carrega. A destinação das premiações do Nobel evidencia que a grande maioria dos pesquisadores detentores do prêmio Nobel nas áreas da física, da química e da medicina são representantes dos países desenvolvidos.
Os prêmios instituídos para o campo da literatura e o simbolismo da paz, estão historicamente destinados para os homens sensíveis dos países pobres, evidenciando talvez o simbolismo da divisão do mundo entre os mantenedores do progresso material da civilização, e os mantenedores do espírito lúdico dos homens. Fazendo uma visita ao ano de 1901, ano que se deu a primeira edição do prêmio Nobel, é marcado por grandes conquistas no mundo científico, no Brasil, é criado o Instituto Butatan por iniciativa do médico Emílio Marcondes Ribas, onde começa a produzir a primeira série de soros e vacinas antipestosas e a primeira série do soro antiofídico, enquanto isso na Europa, o russo Piotr Liében prova experimentalmente a pressão da luz, o inglês John Ambrose Fleming e o italiano Guglielmo Marconi realizam a primeira transmissão de rádio entre a Inglaterra e Canadá; O japonês Jokichi Takamine isola a epinefrina, também chamada de adrenalina, surge nos Estados Unidos a lâmpada de mercúrio; É realizada na Suécia em 10 de dezembro de 1901 a primeira edição do prêmio Nobel, "o prêmio máximo da literatura, ciência e da Paz".
O primeiro prêmio de Física foi para o alemão Wilhelm Konrad Roentgen, pela descoberta dos raios X em 1895 (dois anos depois já é utilizado aqui no Brasil, e curiosamente, na Bahia em 1897); O de química foi para o holandês Jacobus Henricus Van'tHoff, pela descoberta de leis da dinâmica e da pressão osmótica; O de Medicina ou Fisiologia, foi para o bacteriologista alemão Emil Von Behring, pela descoberta da antitoxina diftérica em 1890; O de literatura foi para o poeta francês Renè François Armand Sully-Prudhomme pelo conjunto de sua obra, principalmente seus dois livros de poemas, "As Experiências de 1866 e as Solidões de 1869"; O da paz foi para dois reformadores sociais, Jean Henri Dunant (suíço) pela fundação da Cruz Vermelha Internacional em 1863 (presente em nossos dias nos conflitos mundiais e nas tragédias da natureza), pela criação da convenção de Genebra (tão importante nos conflitos internacionais até hoje protegendo o direito humanitário), e também , para o francês Frèdèric Passy por fundar uma sociedade para a Paz na França. Não houve entrega ao de Economia, porque só foi instituído 68 anos depois em 1969.
O prêmio Nobel foi criado atendendo a um desejo manifestado por Alfred em seu testamento. Ele especificou os campos de atividades que desejava incluir - Física, química, fisiologia ou medicina, literatura e a paz. O prêmio consiste em uma medalha de ouro, um diploma e uma soma variável em dinheiro, que nesse ano será de US $ 1,5 milhão de dólares para cada categoria. Os vencedores são selecionados pela Academia Real de Ciências (física, química, economia), pelo Instituto Carolíngio (medicina ou fisiologia), pela Academia Sueca de Letras (literatura) e por um comitê escolhido pelo parlamento norueguês (Storting) o prêmio da Paz. O prêmio pode ser repartido em até três vencedores.
Entre os fatos mais curiosos da história do Nobel, aconteceu na cerimônia de entrega do prêmio de medicina em 1952, levada pela mão do pai, uma garotinha ofereceu a Selman Walkman cinco cravos vermelhos. Era um agradecimento aos cinco anos vividos pela menina desde que fora salva pela estreptomicina, o primeiro antibiótico eficaz contra a tuberculose.
Nesses cento e dez anos, o prêmio Nobel vem acompanhando as principais conquistas da ciência e da tecnologia e estimulando a paz entre os homens. Numa rápida olhada da relação dos trabalhos premiados em medicina ou fisiologia, nos mostra o aparecimento das novas drogas milagrosas, como a insulina (1923), as sulfas (1939), a penicilina (1945), a cortisona (1950) e também o desenvolvimento de técnicas revolucionárias, desde os primeiros progressos significativos em "sutura vascular", transplantes cirúrgicos de órgãos (1912), até o aparecimento dos eletrocardiogramas (1924) e os últimos avanços da tomografia computadorizada (1979).
Não falta igualmente os marcos da pesquisa fundamental, como a determinação da estrutura molecular do ácido desoxirribonucleico (DNA), que transmite as informações fundamentais dos seres vivos (1962)- permitindo a realização do mapeamento genético em 2003. Na química, a história se repete, desde a descoberta do hélio e dos gases raros em 1904 até as últimas pesquisas que permitem a observação e compreensão das reações químicas, em sua essência molecular. Na física, além da descoberta revolucionária dos raios X, foi também premiada: A fotografia em cores (1908), a teoria dos quanta (1918), o transistor (1956), a tecnologia dos lasers (1975), a holografia (1971), a supercondutividade (1972 e 1987).
Durante esses cento e dez anos houve alguns raros esquecimentos notáveis, como o russo Dmitri Mendeleiev, da tabela periódica dos elementos; do cirurgião sul-africano Christian Barnard, pelo primeiro transplante cardíaco; do médico e microbiologista polonês Albert Sabin, o da vacina oral contra a poliomielite; o biólogo americano Gregory Pincus criador da pílula anticoncepcional, do médico e bioquímico americano Oswald Avery, que demonstrou que o DNA é a molécula portadora da informação genética, a austríaca Lise Meitner, descobridora da fissão nuclear, o austro-húngaro Julius Lilienfeld, criador do transistor, o astrofísico americano Edwin Powell Hubble, descobriu que as chamadas (até então) de nebulosas, eram na verdade galáxias fora da via láctea, o físico Ucraniano George Gamow, explicou a física quântica da radioatividade, postulou a versão moderna do BIG BANG, propôs que as estrelas brilham por reações termonucleares e descobriu o conceito de código genético (um gênio humano), o escritor russo Léon Tolstoi, com seu célebre livro Guerra e Paz; O pacifista indiano Mahatma Gandhi, personalizou a paz em sua concepção mais ampla. O Nobel perdeu a chance de reconhecê-lo e tornou-se menor.
Deixando as exceções de lado, não ganhamos um Nobel de ciências porque nunca merecemos. E nunca merecemos por quê? Será porque o Brasil nunca teve capacidade econômica para investir maciçamente em pesquisa, como nos países da Europa e os Estados Unidos? Ou faltou sabedoria política como a demonstrada pelos indianos, coreanos, que apesar de todas as suas dificuldades, investem tradicionalmente em pesquisas. Uma outra explicação para a falta de um brasileiro na longa lista dos Nobel, entretanto, é o número ainda pequeno de cientistas nos Pais. Quanto maior o número de pessoas desenvolvendo a mesma atividade coletivamente, maior a chance de surgir um gênio. Não é à toa que Pelé nasceu no Brasil.
*Ubirajara Bittencourt Santana
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
A função social da informação de interesse público
Sócrates Santana
A idéia, muito simples, vem das utopias democráticas do século 18: informar-se é direito de todos. Está escrito no artigo 11 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, França, 26 de agosto de 1789: “A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem”.
Devemos cultuar essa idéia com mais freqüência. Além de uma certa mística, ela tem lógica. A informação só é um direito do cidadão porque, na democracia, todo poder emana do povo e em seu nome é exercido – e é para delegar o poder que o cidadão tem o direito de estar bem informado. Sim, a idéia é bastante simples, mas, frequentemente é esquecida e vai se tornando uma frase feita, esvaziada e estéril.
A partir do século 19, a informação jornalística passou a circular em grande escala, como mercadoria. A imprensa tornou-se uma indústria. A democracia absorveu bem esse fenômeno e soube aperfeiçoar-se com base nele. Mas, atenção, a função social da informação de interesse público não se reduz à condição de mercadoria. A informação continua sendo um dos direitos mais preciosos do homem, de todo homem, mesmo que ele não tenha dinheiro para comprá-la. Ou é assim ou a própria democracia é que se terá tornado um projeto esvaziado e estéril.
A informação é um direito, assim como a educação é um direito, assim como a saúde é um direito. É um direito tão importante quanto os demais. É um direito de todos, independentemente das inclinações ideológicas de cada um. Ninguém conceberia que os professores de uma escola pública se dedicassem a doutrinar em lugar de educar corretamente os alunos. Ninguém aceitaria um hospital que admitisse os pacientes segundo critérios partidários. Pois o mesmo se pode dizer da informação: ela é um direito e deve ser oferecida igualmente a todos, de modo claro, impessoal, preciso, sem direcionamentos, sem interesses ocultos.
Por fim, termino este breve texto para defender a importância da criação da Secretaria Estadual de Comunicação, que por intermédio do Irdeb pode agora disseminar mais a noção de informação de interesse público dentro e fora do ambiente do governo. Seja por meio da criação de uma universidade coorporativa, seja na formulação do jeito Irdeb de comunicar. Ainda continua difusa e contraproducente a produção comunicacional deste que é o principal veículo de comunicação pública da Bahia. E para a consolidação de qualquer projeto revolucionário a partir do princípio democrático de governo, a formação de um aparelho público de informação é de extrema relevância para a consolidação do republicanismo desta nova Bahia que ainda está por vir.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
O enigma baiano
Sócrates Santana
Infelizmente, os holofotes focalizam uma única e banal reforma administrativa possível no governo baiano. A tradicional troca de secretários e assessores, a fusão, criação ou eliminação de pastas, a típica disputa dos bastidores entre os partidos e o tamanho de cada um dentro do governo. Mas, uma reforma muita mais profunda e aguda para o estado está em curso: a reforma territorial da nossa administração pública.
Trocando em miúdos, a redistribuição e o deslocamento dos órgãos do governo nas regiões. Ou seja: o reposicionamento e a reconceituação dos papéis hoje desempenhados pelas Direc´s, Dire´s, Adab´s, Ebda´s, Car´s, Cerb´s, hospitais, centros de cultura, aeroportos, postos da Embasa. Para quem considera um prato cheio a acomodação dos partidos aliados no mapa do poder a partir dos cargos centrais das secretarias e ministérios, não imagina o que significa o varejo dos cargos regionais.
É assombrosa a maneira como o governo é coagido pelas lideranças locais, prefeitos e parlamentares a nomear apadrinhados políticos ou simplesmente imobilizar adversários, a partir do aparelhamento dessas estruturas estatais nas regiões. O planejamento do estado, às vezes, sucumbi ante o escarafunchar da coisa pública praticado em nome da manutenção da coalizão partidária.
Se, por exemplo, o conceito de território de identidade for levado à risca pelo governador Jaques Wagner ou sucessor discípulo das idéias do professor Milton Santos, diferente da atual configuração regional, Itabuna e Ilhéus, iriam compartilhar ao invés de duas, uma única DIREC e uma única DIRES. A opção corrigiria uma distorção iniciada pelo governo de Antônio Carlos Magalhães na década de 1970 e, ainda mais agravada, pelo seu sucessor, o ex-governador Roberto Santos.
Apesar de pioneira no que tange ao planejamento regional, a Bahia não colheu os louros da concepção vanguardista, porque, a ingerência política sobressaiu-se ante as necessidades e peculiaridades de cada região. Traduzindo: a criação de órgãos governamentais nas regiões, surgiram ao bel prazer dos interesses eleitorais que cada cidade representava para a consolidação de um regime posteriormente caracterizado como carlismo. O resultado foi um agravamento das diferenças socioeconômicas entre os municípios e graves problemas de cunho social e econômico entre os territórios.
A mudança, contudo, é encarada como um verdadeiro vespeiro eleitoral. Ao mesmo tempo que equilibra as relações político e administrativas entre as regiões, o deslocamento de algumas unidades estatais pode gerar uma verdadeira cruzada divisionista – não só de opiniões, mas, de territórios também. Na prática, se o governo optar pelo embate, a tendência é recuar, adiar ou ceder às pressões para a criação de mais territórios de identidade, como já ocorre no extremo e no litoral sul da Bahia.
No ritmo que o país cresce, é fundamental o aprofundamento do planejamento regional das ações governamentais. E este planejamento passa por uma reforma administrativa capaz de aproximar o estado dos municípios. Uma reforma física da administração pública. Porque, hoje, o modelo ainda vigente no estado, reproduz a concentração de capital nas regiões metropolitanas. E defender a criação de regiões metropolitanas, a exemplo de Vitória da Conquista, Irecê e Feira de Santana, significa ignorar o esforço do atual governo de ordenar a organização espacial do estado a partir dos territórios de identidade.
Sócrates Santana é jornalista.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O destino de Eva Chiavon
O governador Jaques Wagner não costuma dar nó em pingo de água à toa. O ingresso da ex-secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, ao Ministério do Planejamento, desencadeia uma espiral no tabuleiro político baiano, mas, principalmente, brasileiro. No primeiro plano, o prelúdio de uma reforma administrativa na Bahia. No segundo, o uso de uma cortina de fumaça para esconder as reais intenções do PT paulista para disputar a prefeitura de Santo André.
Por um ano, convivi com o governador dos baianos e pude notar que Wagner, às vezes, como no jogo de xadrez, expõe a rainha para criar mais alternativas, mas, principalmente, preservar o rei. Se por um lado, a pequena Eva Chiavon vira uma subalterna da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, por outro, assume a coordenação do PAC, mas, especialmente, é a primeira da lista para comandar o ministério, caso Belchior, concorra às eleições de 2012 para a prefeitura de Santo André.
Com a proximidade das eleições municipais, nenhuma alternativa é descartada. No caso de São Paulo, a possibilidade de manter acesa às chances da viúva do ex-prefeito Celso Daniel, a ministra Miriam Belchior, de disputar uma das três cabeças do ABC paulista. No caso da Bahia, o senso de oportunidade de quem abre mão da sua principal secretária para participar do núcleo central do governo Dilma Rousseff.
É um olho na missa, outro no padre. Afinal de contas, ninguém é insubstituível. Saiu José Dirceu assumiu a mulher que seria sucessora do presidente Lula. O exemplo, hoje, serve para ambos os lados: Wagner e Dilma. O governador possui muitas obras federais de impacto estrutural no governo baiano. A Ferrovia Oeste-Leste, Porto Sul, Copa 2014, metrô de Salvador, a duplicação da BR 101 e dezenas de obras de saneamento básico ancoradas no PAC.
É verdade que o deputado estadual e pré-candidato à prefeitura de Santo André, Carlos Grana (PT/SP), anunciou a desistência da ministra do Planejamento. Mas, também é verdade de que ninguém ouviu nada de Miriam Belchior. A política é dinâmica para quem acompanha a dinâmica dela. Até por que, esconder o jogo também faz parte.
*Sócrates Santana é jornalista.
terça-feira, 14 de junho de 2011
A quinta coluna de Alagoinhas
O jeito escorregadio do prefeito de Alagoinhas, Paulo Cezar (PSDB), tem estreita relação com a maneira distante que a família Magalhães tratou por toda a vida os assuntos da Bahia. Assim como o avô, o deputado federal Jutahy Magalhães Junior é visto pela esfera pública baiana como um forasteiro. E como tal, deixa a revelia a política partidária no estado. A saída do prefeito do litoral norte do ninho tucano, portanto, é reflexo de uma prática familiar antiga. O maior problema é que o velho Juracy Magalhães também deixou outros ensinamentos.
No dia 13 de maio de 2010, o governador Jaques Wagner (PT) visitou o município de Alagoinhas. Na oportunidade, Paulo César declarou apoio para a reeleição petista no estado e para o candidato a presidência José Serra (PSDB). Sem pestanejar, o “galego” aceitou a adesão, mas, cutucou: “Político tem que ter lado. Não pode acender uma vela para Deus e outra para o Diabo”. De volta ao agreste baiano, Wagner retornou a Alagoinhas para inaugurar um quarto trecho de uma avenida tão extensa que cabe dentro dela vários nomes e, principalmente, lados: Carlos Gomes, Juracy Magalhães, Luís Eduardo Magalhães e, agora, Joseph Wagner, pai do atual governador dos baianos.
No entanto, o que mais intriga neste aparente movimento de “biruta de aeroporto” conferida ao prefeito de Alagoinhas é o recente anúncio realizado por ele: “É grande a probabilidade de que eu vá para o PDT”. E o mais engraçado é perceber como a história, volta e meia, vai e volta. Após ter sido escolhido na década de 30 pelo ditador Getúlio Vargas como interventor na Bahia, Juracy Magalhães cultivou 15 anos depois uma vida secreta. Foi informante do FBI no Brasil e preparou um novo golpe contra o patrono do PDT, o mesmo Getúlio Vargas que lhe nomeou governador.
Talvez, pouco consciente dessas coincidências da história, o prefeito de Alagoinhas termina por participar de uma intrigante articulação no estado, que revela a mudança de atores, mas, as mesmas intenções de sempre: o comando do poder. Ou a troca dele. O fato é que o fratricídio petista no município de Alagoinhas facilidade a difusão de boatos e uma espécie de quinta-coluna em curso. A desmoralização pública do vereador Miguel Silva (PT) na Câmara de Vereadores e a viabilidade eleitoral do vereador Luciano Sérgio empurra o ex-prefeito e deputado estadual Joseildo Ramos (PT) de volta para o cenário local.
O parlamentar petista, apesar de um curto período no legislativo baiano, demonstra enorme facilidade de analisar e perceber o movimento de cada peça de xadrez na Assembleia Legislativa da Bahia. De como as decisões da sala do cafezinho influenciam a política no estado. Joseildo, portanto, seria uma perda inestimável para a bancada petista. Uma peça a menos neste tabuleiro chamado sucessão. Seja no âmbito municipal, seja no âmbito estadual.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O que será do PSD
Não é tarefa fácil definir qual será o papel desempenhado pelo PSD na política nacional. A possibilidade do partido produz sintomas por todo o país profundamente ambíguos e conduzem qualquer observador a diagnósticos contraditórios. Se uns parecem sustentar, de modo convincente, que o PSD é um artifício do Palácio do Planalto para esvaziar a oposição ou uma espécie de PMDB alternativo, outros parecem defender, com igual persuasão, que o PSD é ele próprio uma oposição travestida, uma força tão heterogênea que relega a esquerda às margens.
A esfera pública vive dentro de um sistema público muito instável em que a mínima flutuação, inclinação, gesto ou movimento de um ator, seja vereador, prefeito, deputado ou governador, provoca rupturas em qualquer olhar, independentemente de que ângulo o observador esteja. Assim, olhando o PSD, ora vemos um vaso grego branco recortado, ora vemos dois rostos gregos de perfil, frente a frente, recortados sobre um fundo branco. Qual é o verdadeiro? Ambos e nenhum. É esta ambigüidade e a complexidade dela que mais intriga e impacta no partido criado pelo prefeito paulista Gilberto Kassab.
O PSD aparece num período de transição. E como tal, difícil de entender e de percorrer. Nesses momentos, tenho o hábito de voltar às coisas simples, à capacidade de formular perguntas simples, perguntas que, como Einstein costumava dizer, só uma criança pode falar, mas que, depois de feitos, são capazes de trazer uma luz nova à nossa perplexidade.
O progresso do PSD contribuirá para melhorar ou para corromper mais a política? Há alguma relação entre o PSD e o PT? Entre o PSD e o PSDB? Há alguma razão de peso para substituir o fisiologismo do PMDB que já é de conhecimento geral por um partido produzido por poucos e inacessível à maioria (o povo, não os políticos)? Contribuirá o PSD para diminuir o fosso crescente na nossa política entre o que se é e o que se aparenta ser, o saber dizer e o saber fazer, entre a teoria e a prática?
A fase de transição que vive hoje a política brasileira, que deixa perplexo o espírito mais atento e faz a esquerda, principalmente, refletir sobre os fundamentos da política, gera um impacto variado de distorções, ora pelo governo, ora pela oposição. Hoje, somos todos protagonistas e produtos dessa nova ordem, testemunhos vivos das transformações que ela produziu.
Mas, o fato é que não só a oposição, também a esquerda, esta perplexa, porque, perdeu a confiança de interpretar a crise; deixou instalar internamente uma sensação de perda irreparável tanto mais estranha quanto não se sabe ao certo o que estar em vias de perder; talvez, essa sensação de perda seja apenas o medo que sempre precede os últimos ganhos. No entanto, existe sempre a perplexidade de não sabermos o que haverá, de fato, a ganhar.
Daí a ambigüidade e complexidade deste período, elevada, sem dúvida, pela possibilidade do PSD. Daí também a idéia, hoje partilhada por muitos, de estarmos numa fase de transição. Daí, finalmente, a urgência de dar resposta a perguntas simples, elementares, inteligíveis. Numa época de hegemonia quase indiscutível da esquerda no país, a resposta à pergunta sobre o significado sócio-cultural da crise na esquerda, não pode obter-se sem primeiro se questionarem as pretensões do PT. É um partido para o poder ou o poder para o partido? O que será do PSD?

