terça-feira, 5 de junho de 2012
A força das velhas idéias
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Quem não tem colírio
O senador Demóstenes Torres continua sendo um parlamentar do DEM. Não é o apagar das luzes de uma CPMI que vai retirar do partido o estigma do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira. Nem tão pouco, a expulsão de um filiado do alto escalão. Não adianta esparramar, ameaçar jogar merda no ventilador. É o DEM quem está metido nesta investigação até a cabeça, bem como, os cúmplices do DEM. Entre eles, o deputado federal ACM Neto.
A condição de líder do partido na Câmara Federal exige do herdeiro político do senador Antônio Carlos Magalhães mais explicações sobre o envolvimento do seu partido com o jogo do bicho. Afinal de contas, Demóstenes Torres era o líder do DEM no Senado Federal quando uma cachoeira de denúncias surgiu a partir de escutas telefônicas, que revelavam a ligação entre o senador do DEM e crimes de contrabando, exploração de jogos de azar, corrupção e lavagem de dinheiro. É inútil impor para a sociedade a ideia de moralidade. Cada sinal ou gesto, soam falsos quando o personagem em foco é um membro do DEM. Ou seja: se tem um partido que representa bem a corrupção é o DEM. E não falo isso apenas como baiano, porque, como todos sabem, tem coisas que só se viu na Bahia de ACM.
Vão surgir ao longo das investigações da CPMI - que já começou antes mesmo da instalação oficial - denúncias contra figuras públicas, a exemplo do senador Aécio Neves (PSDB). Não é segredo para ninguém o conflito dentro do ninho tucano entre o paulista José Serra e o mineiro Aécio Neves. A primeira notícia pública diz respeito à nomeação de Mônica Beatriz Silva Vieira para um cargo no governo de Minas Gerais, atendendo a um pedido do então líder do DEM no Senado Federal, Demóstenes Torres. Ela é parente do Carlinhos Cachoeira. Ao contrário de declarações recentes do ex-prefeito paulista, quem costumeiramente utiliza de métodos fascistas é o DEM e os seus cúmplices. Talvez, um dia, antes do DEM pendurar as botas, o ministro das privatizações possa filiar-se ao partido do neonazista, Jorge Bornhausen.
Talvez, a CPI em questão seja encarada como uma revanche do PT. É o partido que possui o maior número de assinaturas da CPMI, logo, o raciocínio lógico seria que o PT seja o maior interessado nas investigações. Volta e meia vão aparecer suposições sobre a conduta dos petistas ao longo do inquérito, comparações que vão tentar desqualificar a atuação do partido, bem como, a acusação de politização de uma comissão essencialmente política. É o que é e o que será esta CPMI. Queiram ou não, apresentem ou não parecer paralelo no final da CPMI, a relatoria é do PT. E, se tem um partido que vai sentir em proporções nunca vista antes na história do Brasil cada denúncia e inquérito é o DEM. E não adianta usar óculos escuros.
*Sócrates Santana é jornalista.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Três homens em conflito
Sócrates Santana
Não é faroeste, mas, a eleição de Jacobina virou um roteiro digno de Clint Eastwood. De um lado, o coronel, o cativo, o ex-prefeito do município, Leopoldo Moraes Passos (PDT). Do outro, o médico, o inelegível, o outro ex-prefeito, Rui Macedo (PMDB). Mais adiante, o comunista, o nativo e deputado federal, Amauri Teixeira (PT). Entre eles, uma mulher: a atual prefeita, Valdice Castro (PP).
A corrida sucessória na cidade do ouro está longe de virar uma disputa para quem fica com a mocinha. A dama, no caso, a prefeita, responde pela vontade política do patriarca, o ex-prefeito e marido, Leopoldo. E ponto. Ou seja: apesar da candidatura a reeleição ser da mulher, é o senhorzinho quem faz os acordos e as alianças do jogo sucessório local.
O ex-prefeito tem um gatilho rápido. Sem pestanejar, conseguiu construir um cenário eleitoral para nenhum pistoleiro colocar defeito. Atiraram para todos os lados. Em 2010, Leopoldo e Valdice, ambos filiados ao DEM, fecharam uma conta um pouco difícil de bater. Mas, política não é matemática.
Ela, Valdice, apoiou Jaques Wagner. Ele, Leopoldo, apoiou Paulo Souto. Ambos apoiaram para deputado federal Jorge Khoury (DEM) e para deputada estadual Eliana Boaventura (PP), além do candidato ao senado, José Carlos Aleluia. Com exceção do governador dos baianos, todos os candidatos apoiados pelo casal “jacu” perderam.
Após o processo eleitoral, ambos, Leopoldo e Valdice, saíram do DEM e migraram para partidos da base aliada do governador Jaques Wagner, respectivamente, PDT e PP. Enquanto isso, os dois principais responsáveis pela derrota do status quo local, Amauri Teixeira e Rui Macedo, ambos aliados dos governos petistas, seja no âmbito nacional, seja no âmbito estadual, assistem consternados a manobra desconcertante do último coronel do ouro.
Unidos, Amauri e Rui, obtiveram 50% dos votos válidos das eleições proporcionais de Jacobina. O petista conseguiu conquistar uma cadeira na Câmara Federal, sendo o deputado mais votado do município. O peemedebista não conseguiu uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia, mas, obteve praticamente a mesma votação do eleito, Amauri Teixeira. Teoricamente, o palanque das oposições em Jacobina estaria montado. Mas, a teoria, na maioria das vezes, na prática é outra.
Sem o aval ainda dos irmãos, Geddel Vieira Lima e Lúcio Vieira Lima, o ex-prefeito Rui Macedo não fechou nenhum acordo com a candidatura petista. Talvez, Jacobina, seja a única cidade-pólo capaz de reunir no mesmo palanque PT e PMDB na Bahia.
Após superar a dificuldade de unificar as oposições em Jacobina, a próxima tarefa será definir com quem o governador Jaques Wagner irá subir no palanque. Afinal de contas, numa história onde o coração da mocinha já tem dono, resta aos cowboys disputarem com quem fica a cidade.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A última vareta
O legislativo baiano é a última vareta. Quem já brincou com este jogo sabe do que estou falando. Com a ascensão do ex-deputado estadual Zilton Rocha até a presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) restou apenas a Assembleia Legislativa da Bahia. Visto de longe pela opinião pública, o deputado estadual Marcelo Nilo (PDT), aparentemente, não percebe o cordão de isolamento montado ao seu redor.
É minado lentamente. Um pouco por dia. De um lado, o presidente da União dos Prefeitos da Bahia (UPB), Luiz Caetano. O prefeito de Camaçari faz o dever de casa do partido. Caetano segue a risca a cartilha do governador. Avança, principalmente, no terreno inimigo. Como diria o professor Rômulo Almeida, sangra o adversário por dentro. Em sintonia com o recém empossado secretário da Casa Civil, Rui Costa, o presidente da UPB organiza e planeja a ação municipal da base aliada nas eleições de 2012.
Enquanto isso, do outro lado, um staff composto pelo líder do governo, Zé Neto, o líder do PT, Yulo Oiticica, e os demais parlamentares petistas. Ao todo, 14 deputados escondidos pelos os holofotes das eleições municipais. Sem alarde, reaproximam a base aliada, especialmente, o PSD e o PP, dentro do parlamento baiano sob o argumento das alianças locais. Devagar, o governador tira todas as varetas sem se tocarem. E, pouco a pouco, alguém vai ficando sozinho, acompanhado pela solidão que o trai até o último fio de cabelo. Aí, vira uma inútil batalha em que você está certo de fazer o papel de vencido.
Portanto, não será nenhuma surpresa assistir a alternância de poder no legislativo baiano. Talvez, não seja um presidente petista. Talvez, seja necessário até mesmo ceder a liderança do governo para um aliado mais próximo, comprometido com a estratégia de eleger um governador do PT. Mas, certamente, o próximo não será Marcelo Nilo. Porque, ou se é governador ou se é presidente da Assembleia. Ou seja: não é possível desvendar as miudezas das eleições municipais ao mesmo tempo que se decifra os sons dos corredores e da sala do cafezinho. São mundos iguais, porém, cheios de idiosincrasias próprias. E um só, não pode lidar com tantas varetas assim. No fim, se ver nu e só, acreditando que está combatendo alguma coisa que não existe, que é um delírio de sua cabeça.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O dono do jogo
O jogo sucessório começou a soar o seu brado retumbante na Bahia. Degrau por degrau, a fila da sucessão, como anunciou o ministro Afonso Florence, vem sendo construída aos poucos por Jaques Wagner. A saída de Eva Chiavon, o retorno de Rui Costa e o ingresso de José Sérgio Gabrielli, organizaram as cartas das eleições de 2014. Ao menos, o jogo nas mãos do governador. E ele ainda possui três cartas escondidas, entre elas, Moema Gramacho e Walter Pinheiro.
Por um lado, a prefeita de Lauro de Freitas consolida a sua sucessão com as próprias mãos. Filiou o vice-prefeito no PT e pode sair da prefeitura sem maiores perdas para assumir uma secretaria, a exemplo da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza. No caso, o vice, João Oliveira, seria o candidato a reeleição e o atual secretário Carlos Brasileiro substituído por Moema para disputar as eleições de Senhor do Bonfim.
Por outro, o senador Walter Pinheiro. Em baixa, ante o ingresso de Rui Costa e José Sérgio Gabrielli, o primeiro senador petista no estado, desceu alguns degraus da escada montada por Jaques Wagner. Ainda assim, continua sendo uma alternativa viável, apesar de cada vez menos consultado pelos demais jogadores, especialmente, dentro do PT.
Aparentemente, os demais partidos aliados estão fora do baralho. Aparentemente, falta o governador combinar o jogo com os russos. Aparentemente, ainda resta uma carta para fechar a conta de Jaques Wagner. Mas, as aparências enganam. Ninguém está fora. Todos estão dentro.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Quem? Pelegrino? Isolado? Besteira!
Sócrates Santana
O deputado federal Nelson Pelegrino (PT) não está isolado. E quem insinua ou repercute tal asneira ignora totalmente o atual cenário de governabilidade do país e do estado. Primeiro, porque, o chamado “modelo petista” está em plena ascensão no país e nos municípios. Segundo, porque, o nome do parlamentar petista conseguiu unificar de maneira antecipada o partido mais heterogêneo da base aliada do governador Jaques Wagner: o próprio petê. Ou seja: seja o DEM, seja o PMDB, quem possui uma candidatura com a capacidade de dialogar com mais partidos que o PT?
Sem prévias, o candidato que a militância petista escolheu - consensualmente - para representar o partido nas próximas eleições municipais tem o apoio de um governador, um senador, 10 deputados federais, 14 deputados estaduais e 7 vereadores. Quem entre todos os candidatos possui maior representatividade partidária na Bahia?
E mais: nem o PMDB, nem o DEM, apontam um arco de alianças capaz de arregimentar tantos partidos num único projeto eleitoral. Por um lado, o DEM está enjaulado ao inexpressivo PSDB baiano, que ainda carrega consigo a pecha malograda do tucanato nacional. Por outro, o PMDB sofre de uma esquizofrenia shakespeariana - politicamente - sem solução: estou na situação ou na oposição, eis a questão?
Ainda resta salientar a falta de opção dos demais partidos que projetam suas candidaturas, a exemplo do PcdoB e do PSB. A foice comunista incita uma rebelião ancorada no PSB, mas, só. O martelo, entretanto, apenas será batido se a senadora socialista, Lídice da Mata, contrariar uma estratégia arquitetada pelo governador pernambucano, Eduardo Campos. Um gesto precipitado dela para afagar o descontentamento do PCdoB coloca em risco um projeto de longo prazo projetado pela cúpula nacional do partido, que inclui o quarto colégio eleitoral do país.
Se sair, o PCdoB desfilará no bloco do eu sozinho, já que não consegue absorver o PP, nem o PRB, nem o PDT. Caso atraía a adesão do PMDB baiano, por exemplo, também coloca o pé para fora do governo petista. É um rompimento que, talvez, o próprio PT gostaria que ocorresse.
Aos demais partidos, PDT, PP, PRB e PTB, nenhuma outra alternativa. Resta a adesão, conflagrando entre eles a disputa pela vice de Nelson Pelegrino, porque, a desistência do deputado federal Marcos Medrado (PDT), a incompatibilidade doutrinária entre o PRB e os demais aliados, assim como, o beco sem saída da administração tampão do PP na prefeitura de Salvador, levam o rio para uma única direção: o mar vermelho do PT.
Por fim, a candidatura do deputado federal Nelson Pelegrino não está isolada, porque, apesar de toda a contrariedade dos demais com a aparente onipresença petista, nenhum deles consegue enxerga no outro um espelho que reflita os seus interesses tão bem quanto o principal objeto das suas discórdias: o PT. Talvez, o maior desafio do nome petista esteja – exatamente – na inversão de posições das peças do atual tabuleiro da base aliada. E para tal, possui uma carta na manga chamada PSD. E se o PSD inflamasse os demais, não abrindo mão da vice? Sem dúvida, isso colocaria em evidência as verdadeiras cartas na mesa.
*Sócrates Santana é jornalista e responsável pelo perfil no twitter @SocrateSantana
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Cento e dez anos de Prêmio Nobel
Deixando as exceções de lado, não ganhamos um Nobel de ciências porque nunca merecemos. E nunca merecemos por quê? Será porque o Brasil nunca teve capacidade econômica para investir maciçamente em pesquisa, como nos países da Europa e os Estados Unidos? Ou faltou sabedoria política como a demonstrada pelos indianos, coreanos, que apesar de todas as suas dificuldades, investem tradicionalmente em pesquisas. Uma outra explicação para a falta de um brasileiro na longa lista dos Nobel, entretanto, é o número ainda pequeno de cientistas nos Pais. Quanto maior o número de pessoas desenvolvendo a mesma atividade coletivamente, maior a chance de surgir um gênio. Não é à toa que Pelé nasceu no Brasil.
No próximo dia 10 de dezembro, o Rei Carl XVI Gustaf e a Rainha Sylvia (brasileira), da Suécia, entregarão aos vencedores do prêmio Nobel de 2011 a soma US $ 1,5 milhão de dólares para cada uma das seis modalidades: MEDICINA, Bruce Beutler (USA), Ralph Steinman (Canadá), Jules Hoffmann (Luxemburgo), pela descoberta das células dendríticas, pela descoberta relacionada com a ativação da imunidade inata. FÍSICA: Saul Perlmutter, Brian Schmidt, Adam Riess (todos norte-americanos), descobriram conjuntamente através da observação de supernovas distantes que o universo esta se expandindo a uma velocidade acelerada. QUÍMICA: Dan Schechtman (israelita), pela descoberta dos "quase cristais". LITERATURA: Tomas tranströmer (sueco), pelo conjunto da sua obra e porque através das suas imagens condensadas e translúcidas, dão acesso à realidade. PAZ: Três mulheres do continente africano foram laureadas, Ellen Johnson Sirleaf (Libéria), Lexmach Growee (Libéria), Tawakkul Karman (Iêmen), pela luta pacífica em defesa da segurança e dos direitos humanos das mulheres na plena participação da construção da paz. ECONOMIA: Thomas Sargent e Christopher Sims (ambos norte-americanos), pela investigação empírica e efeito na macroeconomia, ou seja: Por terem desenvolvido métodos para responder a questões sobre a relação causal entre a política econômica e diferentes variáveis macroeconômicas, com o produto interno bruto (PIB), emprego, inflação e investimentos.
É lamentável que nesses cento e dez anos de existência do prêmio Nobel, o Brasil ainda não tenha conquista o seu Nobel. É importante ressaltar a importância do prêmio Nobel, não só pelo seu significativo valor em dinheiro, mas, sobretudo, como "termômetro" onde indica a qualidade da ciência, da literatura, da luta pela paz no mundo que cada povo carrega. A destinação das premiações do Nobel evidencia que a grande maioria dos pesquisadores detentores do prêmio Nobel nas áreas da física, da química e da medicina são representantes dos países desenvolvidos.
Os prêmios instituídos para o campo da literatura e o simbolismo da paz, estão historicamente destinados para os homens sensíveis dos países pobres, evidenciando talvez o simbolismo da divisão do mundo entre os mantenedores do progresso material da civilização, e os mantenedores do espírito lúdico dos homens. Fazendo uma visita ao ano de 1901, ano que se deu a primeira edição do prêmio Nobel, é marcado por grandes conquistas no mundo científico, no Brasil, é criado o Instituto Butatan por iniciativa do médico Emílio Marcondes Ribas, onde começa a produzir a primeira série de soros e vacinas antipestosas e a primeira série do soro antiofídico, enquanto isso na Europa, o russo Piotr Liében prova experimentalmente a pressão da luz, o inglês John Ambrose Fleming e o italiano Guglielmo Marconi realizam a primeira transmissão de rádio entre a Inglaterra e Canadá; O japonês Jokichi Takamine isola a epinefrina, também chamada de adrenalina, surge nos Estados Unidos a lâmpada de mercúrio; É realizada na Suécia em 10 de dezembro de 1901 a primeira edição do prêmio Nobel, "o prêmio máximo da literatura, ciência e da Paz".
O primeiro prêmio de Física foi para o alemão Wilhelm Konrad Roentgen, pela descoberta dos raios X em 1895 (dois anos depois já é utilizado aqui no Brasil, e curiosamente, na Bahia em 1897); O de química foi para o holandês Jacobus Henricus Van'tHoff, pela descoberta de leis da dinâmica e da pressão osmótica; O de Medicina ou Fisiologia, foi para o bacteriologista alemão Emil Von Behring, pela descoberta da antitoxina diftérica em 1890; O de literatura foi para o poeta francês Renè François Armand Sully-Prudhomme pelo conjunto de sua obra, principalmente seus dois livros de poemas, "As Experiências de 1866 e as Solidões de 1869"; O da paz foi para dois reformadores sociais, Jean Henri Dunant (suíço) pela fundação da Cruz Vermelha Internacional em 1863 (presente em nossos dias nos conflitos mundiais e nas tragédias da natureza), pela criação da convenção de Genebra (tão importante nos conflitos internacionais até hoje protegendo o direito humanitário), e também , para o francês Frèdèric Passy por fundar uma sociedade para a Paz na França. Não houve entrega ao de Economia, porque só foi instituído 68 anos depois em 1969.
O prêmio Nobel foi criado atendendo a um desejo manifestado por Alfred em seu testamento. Ele especificou os campos de atividades que desejava incluir - Física, química, fisiologia ou medicina, literatura e a paz. O prêmio consiste em uma medalha de ouro, um diploma e uma soma variável em dinheiro, que nesse ano será de US $ 1,5 milhão de dólares para cada categoria. Os vencedores são selecionados pela Academia Real de Ciências (física, química, economia), pelo Instituto Carolíngio (medicina ou fisiologia), pela Academia Sueca de Letras (literatura) e por um comitê escolhido pelo parlamento norueguês (Storting) o prêmio da Paz. O prêmio pode ser repartido em até três vencedores.
Entre os fatos mais curiosos da história do Nobel, aconteceu na cerimônia de entrega do prêmio de medicina em 1952, levada pela mão do pai, uma garotinha ofereceu a Selman Walkman cinco cravos vermelhos. Era um agradecimento aos cinco anos vividos pela menina desde que fora salva pela estreptomicina, o primeiro antibiótico eficaz contra a tuberculose.
Nesses cento e dez anos, o prêmio Nobel vem acompanhando as principais conquistas da ciência e da tecnologia e estimulando a paz entre os homens. Numa rápida olhada da relação dos trabalhos premiados em medicina ou fisiologia, nos mostra o aparecimento das novas drogas milagrosas, como a insulina (1923), as sulfas (1939), a penicilina (1945), a cortisona (1950) e também o desenvolvimento de técnicas revolucionárias, desde os primeiros progressos significativos em "sutura vascular", transplantes cirúrgicos de órgãos (1912), até o aparecimento dos eletrocardiogramas (1924) e os últimos avanços da tomografia computadorizada (1979).
Não falta igualmente os marcos da pesquisa fundamental, como a determinação da estrutura molecular do ácido desoxirribonucleico (DNA), que transmite as informações fundamentais dos seres vivos (1962)- permitindo a realização do mapeamento genético em 2003. Na química, a história se repete, desde a descoberta do hélio e dos gases raros em 1904 até as últimas pesquisas que permitem a observação e compreensão das reações químicas, em sua essência molecular. Na física, além da descoberta revolucionária dos raios X, foi também premiada: A fotografia em cores (1908), a teoria dos quanta (1918), o transistor (1956), a tecnologia dos lasers (1975), a holografia (1971), a supercondutividade (1972 e 1987).
Durante esses cento e dez anos houve alguns raros esquecimentos notáveis, como o russo Dmitri Mendeleiev, da tabela periódica dos elementos; do cirurgião sul-africano Christian Barnard, pelo primeiro transplante cardíaco; do médico e microbiologista polonês Albert Sabin, o da vacina oral contra a poliomielite; o biólogo americano Gregory Pincus criador da pílula anticoncepcional, do médico e bioquímico americano Oswald Avery, que demonstrou que o DNA é a molécula portadora da informação genética, a austríaca Lise Meitner, descobridora da fissão nuclear, o austro-húngaro Julius Lilienfeld, criador do transistor, o astrofísico americano Edwin Powell Hubble, descobriu que as chamadas (até então) de nebulosas, eram na verdade galáxias fora da via láctea, o físico Ucraniano George Gamow, explicou a física quântica da radioatividade, postulou a versão moderna do BIG BANG, propôs que as estrelas brilham por reações termonucleares e descobriu o conceito de código genético (um gênio humano), o escritor russo Léon Tolstoi, com seu célebre livro Guerra e Paz; O pacifista indiano Mahatma Gandhi, personalizou a paz em sua concepção mais ampla. O Nobel perdeu a chance de reconhecê-lo e tornou-se menor.
Deixando as exceções de lado, não ganhamos um Nobel de ciências porque nunca merecemos. E nunca merecemos por quê? Será porque o Brasil nunca teve capacidade econômica para investir maciçamente em pesquisa, como nos países da Europa e os Estados Unidos? Ou faltou sabedoria política como a demonstrada pelos indianos, coreanos, que apesar de todas as suas dificuldades, investem tradicionalmente em pesquisas. Uma outra explicação para a falta de um brasileiro na longa lista dos Nobel, entretanto, é o número ainda pequeno de cientistas nos Pais. Quanto maior o número de pessoas desenvolvendo a mesma atividade coletivamente, maior a chance de surgir um gênio. Não é à toa que Pelé nasceu no Brasil.
*Ubirajara Bittencourt Santana