Sócrates Santana
A relação entre os tucanos e os democratas é ideológica. O primeiro é o autor intelectual da perversa engenharia política neoliberal. O segundo é o cão medieval dos coronéis, o agente do terror. Ambos, PSDB e DEM, revelam nessas eleições a verdadeira faceta de uma relação de poder ultra-conservadora, que elegeu o preconceito como o principal aliado de José Serra.
Se estivesse vivo, o ex-governador Mário Covas iria condenar veementemente os métodos medievais utilizados pelo o atual tucanato. A partir da escolha do vice-candidato à presidência, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ), a campanha de José Serra inicia uma cruzada dogmática, que começa sugerindo hermenêuticas relações entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Partido dos Trabalhadores. Índio da Costa assume o papel de Sarah Palin em território nacional.
Palin é a ex-governadora do Alasca que, um dia, sonhou ser a vice-presidente dos Estados Unidos ao lado de John McCain. Assim como Serra em relação ao DEM e PSDB, McCain não gravitava no eleitorado mais tradicional, alinhado radicalmente à direita. A solução encontrada por lá foi arrumar alguém que representasse tal discurso. No Brasil, o PSDB repetiu a tese.
Palin é portadora de um discurso moralizador e detêm uma beleza física natural. A versão tupiniquim usa calças, mas, não esconde a vocação de mocinho da novela das oito. Índio da Costa assumiu um papel que poderia ter sido interpretado pela senadora Kátia Alves (DEM), líder da bancada ruralista no Congresso Nacional. Homem ou mulher, o fato é que o parlamentar carioca abriu a catarse conservadora do candidato José Serra, rebaixando o debate a discussões sobre o aborto e a opção sexual dos candidatos. Felizmente, McCain perdeu a eleição para Barack Obama.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Cara e Coroa
Sócrates Santana*
A campanha de José Serra é demo-tucana. É, majoritariamente, demo, porque, utiliza de métodos historicamente vinculados ao jeito pelefelista de fazer política. Mentem, manipulam informações e, principalmente, se apossam de conquistas que não são atribuídas verdadeiramente ao modo demotucano de governar. No caso, a estabilidade econômica, o real e o saneamento dos bancos através do Proer não são conquistas do PSDB e do DEM. Mas, invenções eleitorais desastrosas para a economia brasileira.
O anúncio do Plano Real foi feito pelo ministro de 10 meses da fazenda (de 19/5/1993 a 30/3/1994), Fernando Henrique Cardoso, dando continuidade ao governo de Fernando Collor, assumido pelo vice-presidente, Itamar Franco. A equipe era formada pelos mesmos economistas que participaram do desastroso Plano Cruzado de Sarney. É o velho modo demotucano de criar factóides para inflar a opinião publicada com falsos argumentos.
Mas, o mérito do Real é do famigerado Rubens Ricupero, responsável pela implantação do Plano Real. O atual aliado de José Serra, o senador eleito Itamar Franco, acusa, inclusive, FHC de má fé. O ex-presidente FHC assinou de maneira irregular as notas da nova moeda, quando já não era mais ministro da fazenda. É o velho jeito demotucano de utilizar a máquina pública sem pudor.
Veio a primeira crise econômica em 15 de março de 1995. Uma crise que só ocorreu no Brasil, porque, não foi internacional. O mercado, como diria a colunista Miriam Leitão, estava calmo e favorável aos países emergentes. Só que o governo de FHC mexeu no câmbio de forma irresponsável ou amadora, por "suspeita de retorno da inflação". É o velho método demotucano de implantar o terror para combater o medo da inflação.
Cerca de US$ 2 bilhões de investidores estrangeiros saíram do país. O atual candidato a presidência, ministro do Planejamento de FHC, José Serra, juntamente com Pedro Malan, aumentou a previsão da taxa de inflação anual. Para completar o ensejo, FHC, Serra e Malan anunciaram a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, considerada a mais eficiente das 136 estatais e o fim da reserva de mercado no setor bancário. Afinal de contas, é dando que se recebe, como diria Francisco de Assis. O problema é que o santo dava aos pobres. Os demotucanos dão aos ricos. É o velho artifício de fechar a economia para o mercado internacional e abri-lo em seguida privatizando empresas brasileiras
Veio a crise dos bancos de FHC. O “de” FHC é dúbio mesmo. Os bancos “de” FHC e a crise “de” FHC. Os bancos estavam viciados em auferir grandes lucros com a inflação alta. Daí a solução dos bancos veio através do Proer, lançado no dia 20 de agosto de 1995. FHC garantiu que não seria envolvido um único centavo dos contribuintes. Mas, o que ocorreu foi a maior doação da história do Brasil. Os destinatários da doação foram os donos dos bancos, que deram o calote no governo. Entre os beneficiados pela doação estatal o Banco Nacional, da nora de FHC; o Bamerindus, de José Eduardo de Andrade Vieira, ministro da Agricultura de FHC (grande financiador de sua campanha); e o Banco Econômico, de Ângelo Calmon de Sá, que por sinal já tinha sido socorrido pelo Geisel em 1976 (o da Pasta Rosa, que ajudava os "amigos dos banqueiros", dentre eles ACM, FHC, Serra).
Como diria o filosofo italiano Gramsci, “tudo muda para ficar sempre igual”. Serra, enquanto candidato demotucano, promete nessas eleições presidenciais salário mínimo de R$ 600,00. Uma invenção eleitoreira rasteira, despolitizada. Ou seja: é a cara do DEM com a coroa do PDSB na cabeça raspada de José Serra.
A campanha de José Serra é demo-tucana. É, majoritariamente, demo, porque, utiliza de métodos historicamente vinculados ao jeito pelefelista de fazer política. Mentem, manipulam informações e, principalmente, se apossam de conquistas que não são atribuídas verdadeiramente ao modo demotucano de governar. No caso, a estabilidade econômica, o real e o saneamento dos bancos através do Proer não são conquistas do PSDB e do DEM. Mas, invenções eleitorais desastrosas para a economia brasileira.
O anúncio do Plano Real foi feito pelo ministro de 10 meses da fazenda (de 19/5/1993 a 30/3/1994), Fernando Henrique Cardoso, dando continuidade ao governo de Fernando Collor, assumido pelo vice-presidente, Itamar Franco. A equipe era formada pelos mesmos economistas que participaram do desastroso Plano Cruzado de Sarney. É o velho modo demotucano de criar factóides para inflar a opinião publicada com falsos argumentos.
Mas, o mérito do Real é do famigerado Rubens Ricupero, responsável pela implantação do Plano Real. O atual aliado de José Serra, o senador eleito Itamar Franco, acusa, inclusive, FHC de má fé. O ex-presidente FHC assinou de maneira irregular as notas da nova moeda, quando já não era mais ministro da fazenda. É o velho jeito demotucano de utilizar a máquina pública sem pudor.
Veio a primeira crise econômica em 15 de março de 1995. Uma crise que só ocorreu no Brasil, porque, não foi internacional. O mercado, como diria a colunista Miriam Leitão, estava calmo e favorável aos países emergentes. Só que o governo de FHC mexeu no câmbio de forma irresponsável ou amadora, por "suspeita de retorno da inflação". É o velho método demotucano de implantar o terror para combater o medo da inflação.
Cerca de US$ 2 bilhões de investidores estrangeiros saíram do país. O atual candidato a presidência, ministro do Planejamento de FHC, José Serra, juntamente com Pedro Malan, aumentou a previsão da taxa de inflação anual. Para completar o ensejo, FHC, Serra e Malan anunciaram a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, considerada a mais eficiente das 136 estatais e o fim da reserva de mercado no setor bancário. Afinal de contas, é dando que se recebe, como diria Francisco de Assis. O problema é que o santo dava aos pobres. Os demotucanos dão aos ricos. É o velho artifício de fechar a economia para o mercado internacional e abri-lo em seguida privatizando empresas brasileiras
Veio a crise dos bancos de FHC. O “de” FHC é dúbio mesmo. Os bancos “de” FHC e a crise “de” FHC. Os bancos estavam viciados em auferir grandes lucros com a inflação alta. Daí a solução dos bancos veio através do Proer, lançado no dia 20 de agosto de 1995. FHC garantiu que não seria envolvido um único centavo dos contribuintes. Mas, o que ocorreu foi a maior doação da história do Brasil. Os destinatários da doação foram os donos dos bancos, que deram o calote no governo. Entre os beneficiados pela doação estatal o Banco Nacional, da nora de FHC; o Bamerindus, de José Eduardo de Andrade Vieira, ministro da Agricultura de FHC (grande financiador de sua campanha); e o Banco Econômico, de Ângelo Calmon de Sá, que por sinal já tinha sido socorrido pelo Geisel em 1976 (o da Pasta Rosa, que ajudava os "amigos dos banqueiros", dentre eles ACM, FHC, Serra).
Como diria o filosofo italiano Gramsci, “tudo muda para ficar sempre igual”. Serra, enquanto candidato demotucano, promete nessas eleições presidenciais salário mínimo de R$ 600,00. Uma invenção eleitoreira rasteira, despolitizada. Ou seja: é a cara do DEM com a coroa do PDSB na cabeça raspada de José Serra.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A outra esquerda
Sócrates Santana
Permeia nessas eleições uma sensação estranha. Um cheiro de óleo diesel. Uma tentativa de diluir diferenças, sucumbir ideologias. Paira um espírito palaciano. Um distanciamento das relações políticas. Todos são iguais. Uma verdade inconveniente. Há diferenças. São muitas. Desde a confecção de uma peça publicitária dos candidatos majoritários até a participação de comícios adversários.
Aparentemente, nessas eleições, basta vencer. Mas, o que significa vencer? Como vencer? Por quê vencer? Devo poupar, contudo, o leitor com a comum defesa da importância da continuidade do projeto iniciado pelo presidente Lula e o governador Wagner. Prefiro explicar que vencer significa continuar esse projeto, mas, principalmente, eliminar o outro projeto.
Para eliminar o outro projeto é necessário exaurir ao máximo a correlação de forças da direita ideológica: DEM e PSDB. Diminuir o número de parlamentares desses partidos é vital para tal objetivo. Isso exige um esforço concentrado em torno de candidatos ao senado, como Walter Pinheiro e Lídice da Mata. Mas, não basta.
A democratização da democracia baiana forjou um acentuado pluralismo partidário, que favorece os neoaliados. Esses tendem a se tornar tão exorbitantes que passam a ocupar a parte mais ampla da base de sustentação do governo Dilma e Wagner, relegando a esquerda às margens. Ou seja: não basta conter a direita ideológica (DEM e PSDB); também é necessário diminuir o tamanho da direita fisiológica (PMDB e PR).
Vencer no primeiro turno neutraliza no tabuleiro baiano DEM e PSDB, além de afastar das hostes do poder o ímpeto do deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB) e do senador César Borges (PR). Por um lado, o DEM sofre um desgaste natural, correndo o risco eminente de refletir uma rarefeita densidade eleitoral, abaixo do desempenho histórico de 25% dos eleitores baianos creditada ao carlismo. Por outro lado, o PMDB regional disputa o papel de opositor ao modelo vigente. Não cresce nas pesquisas, apesar de surgir como uma sombra para o DEM, quando oferece refúgio seguro para aliados de última hora, como o PR.
Mas, é impossível eliminar o outro projeto. É impossível, porque, os candidatos que compõem a base aliada viabilizam alianças entre o “novo” e o “velho” projeto. Uma guerra em que, no final, não há vencidos e vencedores, é uma guerra que não alcança seu objetivo. No momento em que optamos entrar no conflito, somos aliados ou de uma parte ou de outra. Nenhum movimento pode ser, simultaneamente, de esquerda e direita. Se tudo é esquerda, não há mais direita e, reciprocamente, se tudo é direita, não há mais esquerda.
*Sócrates Santana é jornalista.
Permeia nessas eleições uma sensação estranha. Um cheiro de óleo diesel. Uma tentativa de diluir diferenças, sucumbir ideologias. Paira um espírito palaciano. Um distanciamento das relações políticas. Todos são iguais. Uma verdade inconveniente. Há diferenças. São muitas. Desde a confecção de uma peça publicitária dos candidatos majoritários até a participação de comícios adversários.
Aparentemente, nessas eleições, basta vencer. Mas, o que significa vencer? Como vencer? Por quê vencer? Devo poupar, contudo, o leitor com a comum defesa da importância da continuidade do projeto iniciado pelo presidente Lula e o governador Wagner. Prefiro explicar que vencer significa continuar esse projeto, mas, principalmente, eliminar o outro projeto.
Para eliminar o outro projeto é necessário exaurir ao máximo a correlação de forças da direita ideológica: DEM e PSDB. Diminuir o número de parlamentares desses partidos é vital para tal objetivo. Isso exige um esforço concentrado em torno de candidatos ao senado, como Walter Pinheiro e Lídice da Mata. Mas, não basta.
A democratização da democracia baiana forjou um acentuado pluralismo partidário, que favorece os neoaliados. Esses tendem a se tornar tão exorbitantes que passam a ocupar a parte mais ampla da base de sustentação do governo Dilma e Wagner, relegando a esquerda às margens. Ou seja: não basta conter a direita ideológica (DEM e PSDB); também é necessário diminuir o tamanho da direita fisiológica (PMDB e PR).
Vencer no primeiro turno neutraliza no tabuleiro baiano DEM e PSDB, além de afastar das hostes do poder o ímpeto do deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB) e do senador César Borges (PR). Por um lado, o DEM sofre um desgaste natural, correndo o risco eminente de refletir uma rarefeita densidade eleitoral, abaixo do desempenho histórico de 25% dos eleitores baianos creditada ao carlismo. Por outro lado, o PMDB regional disputa o papel de opositor ao modelo vigente. Não cresce nas pesquisas, apesar de surgir como uma sombra para o DEM, quando oferece refúgio seguro para aliados de última hora, como o PR.
Mas, é impossível eliminar o outro projeto. É impossível, porque, os candidatos que compõem a base aliada viabilizam alianças entre o “novo” e o “velho” projeto. Uma guerra em que, no final, não há vencidos e vencedores, é uma guerra que não alcança seu objetivo. No momento em que optamos entrar no conflito, somos aliados ou de uma parte ou de outra. Nenhum movimento pode ser, simultaneamente, de esquerda e direita. Se tudo é esquerda, não há mais direita e, reciprocamente, se tudo é direita, não há mais esquerda.
*Sócrates Santana é jornalista.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Extirpar o DEM
Sócrates Santana
Há uma tentativa inócua de atingir um dos pontos mais fortes dos governos petistas: a transparência. Uma marca consolidada por intermédio da Controladoria Geral da União, criada no primeiro governo do presidente Lula. Ela já realizou trabalhos de fiscalização, por meio de sorteio, em cerca de 30% dos municípios brasileiros. Os recursos federais destinados a programas diversos e objeto de fiscalização chegam a mais de R$ 11 bilhões. Isso revela a qualidade do trabalho dos agentes da CGU, hoje em número superior a 2 mil analistas de finanças e controle. Somente no ano passado, a Advocacia Geral da União ajuizou 410 ações em todo o Brasil para ressarcimento à União de mais de R$ 200 milhões, objeto de irregularidades e desvios vários. Nunca antes na história deste país, o governo apertou tanto o cerco contra a corrupção.
A fiscalização aponta irregularidades na maior parte dos municípios brasileiros, mas a maioria das falhas são consideradas leves, decorrentes da inexperiência dos administradores. Ainda existem muitos municípios fiscalizados a partir de denúncias (fundamentadas) feitas pelos cidadãos, ou por solicitações do Ministério Público, da Polícia Federal ou de parlamentares. No início, sob a tutela do ex-governador Waldir Pires, houve a necessidade de acionar a Polícia Federal e o Ministério Público, diante da resistência de alguns gestores em fornecer as informações necessárias para a CGU.
Hoje, com o conhecimento e o respeito conquistado em todo o país, a CGU não tem mais esse problema. Mesmo os gestores que não gostariam de passar pela fiscalização, não ousam impor dificuldades às ações da CGU, tendo em vista o grau de aprovação do trabalho pela sociedade, mesmo nos municípios mais remotos do país. Entre os problemas mais graves constatados nos municípios fiscalizados estão obras inacabadas ou paralisadas, apesar de pagas; uso de notas fiscais frias e documentos falsos; simulação de licitações e outras irregularidades em processos de licitação, incluindo a participação de empresas fantasmas; superfaturamento de preços, falta de merenda escolar e de medicamentos; gastos sem licitação e não comprovação da aplicação de recursos.
Ainda existe uma necessidade muita grande de conhecer e disseminar entre os prefeitos e suas equipes as informações essenciais sobre a legislação que regula as licitações públicas e a aplicação dos recursos públicos, além da capacitação das comissões de licitações do município. Também é importante criar as condições para o bom funcionamento dos diversos conselhos comunitários encarregados de fiscalizar os programas, sobretudo os sociais.
Na Bahia, o governo avançou bastante no controle do gasto público, mas, especialmente, no controle e apuração de irregularidades enraizadas ao longo de sucessivos governos carlistas. Em 26 operações correcionais realizadas, por exemplo, 786 servidores foram exonerados após constatação de irregularidades. Entre as situações flagradas, está a de servidores que abandonaram há 20 anos o local de trabalho, mas que continuavam recebendo salários. As exonerações geraram uma economia anual de R$ 15,4 milhões na folha de pessoal. No total, a economia acumulada desde 2007 já alcança R$ 92 milhões. As apurações detalhadas foram possíveis após o Estado firmar parcerias com outros estados, União e prefeituras.
Mas, apesar deste esforço concentrado, o leque de gastos indevidos que ainda ocorrem no estado baiano continuam se perpetuando por grande parte da máquina estatal. Caso não haja uma integração conceitual e institucional dos entes federativos (União, Estado e municípios), ainda iremos restringir as ações do Estado a um percentual da sua real capilaridade e tamanho. A extensão da institucionalização, atraindo a sociedade civil organizada para dentro do controle do Estado, representa o único meio de fortalecer verdadeiramente os entes federados.
Por isso, o governador petista, Jaques Wagner, desde 3 de dezembro de 2007, trava uma disputa acirrada com a oposição no legislativo para aprovar a criação da Controladoria Geral do Estado da Bahia. A criação deste órgão no âmbito estadual significa extirpar da estrutura administrativa baiana uma série de práticas corrosivas, perpetuadas por décadas através de um modelo obscuro e contaminado por ingerências de ordem permissivas e fisiológicas. Nessas eleições, eleger uma bancada de maioria situacionista representa garantir a aprovação de projetos que atingem diretamente a vida dos baianos, dando condições estruturais para o Estado cobrir a população com os serviços sociais básicos, a partir do uso transparente e eficaz do erário público. Só assim iremos “extirpar o DEM da política brasileira”, combatendo o mal pela raiz.
*Sócrates Santana é jornalista.
Há uma tentativa inócua de atingir um dos pontos mais fortes dos governos petistas: a transparência. Uma marca consolidada por intermédio da Controladoria Geral da União, criada no primeiro governo do presidente Lula. Ela já realizou trabalhos de fiscalização, por meio de sorteio, em cerca de 30% dos municípios brasileiros. Os recursos federais destinados a programas diversos e objeto de fiscalização chegam a mais de R$ 11 bilhões. Isso revela a qualidade do trabalho dos agentes da CGU, hoje em número superior a 2 mil analistas de finanças e controle. Somente no ano passado, a Advocacia Geral da União ajuizou 410 ações em todo o Brasil para ressarcimento à União de mais de R$ 200 milhões, objeto de irregularidades e desvios vários. Nunca antes na história deste país, o governo apertou tanto o cerco contra a corrupção.
A fiscalização aponta irregularidades na maior parte dos municípios brasileiros, mas a maioria das falhas são consideradas leves, decorrentes da inexperiência dos administradores. Ainda existem muitos municípios fiscalizados a partir de denúncias (fundamentadas) feitas pelos cidadãos, ou por solicitações do Ministério Público, da Polícia Federal ou de parlamentares. No início, sob a tutela do ex-governador Waldir Pires, houve a necessidade de acionar a Polícia Federal e o Ministério Público, diante da resistência de alguns gestores em fornecer as informações necessárias para a CGU.
Hoje, com o conhecimento e o respeito conquistado em todo o país, a CGU não tem mais esse problema. Mesmo os gestores que não gostariam de passar pela fiscalização, não ousam impor dificuldades às ações da CGU, tendo em vista o grau de aprovação do trabalho pela sociedade, mesmo nos municípios mais remotos do país. Entre os problemas mais graves constatados nos municípios fiscalizados estão obras inacabadas ou paralisadas, apesar de pagas; uso de notas fiscais frias e documentos falsos; simulação de licitações e outras irregularidades em processos de licitação, incluindo a participação de empresas fantasmas; superfaturamento de preços, falta de merenda escolar e de medicamentos; gastos sem licitação e não comprovação da aplicação de recursos.
Ainda existe uma necessidade muita grande de conhecer e disseminar entre os prefeitos e suas equipes as informações essenciais sobre a legislação que regula as licitações públicas e a aplicação dos recursos públicos, além da capacitação das comissões de licitações do município. Também é importante criar as condições para o bom funcionamento dos diversos conselhos comunitários encarregados de fiscalizar os programas, sobretudo os sociais.
Na Bahia, o governo avançou bastante no controle do gasto público, mas, especialmente, no controle e apuração de irregularidades enraizadas ao longo de sucessivos governos carlistas. Em 26 operações correcionais realizadas, por exemplo, 786 servidores foram exonerados após constatação de irregularidades. Entre as situações flagradas, está a de servidores que abandonaram há 20 anos o local de trabalho, mas que continuavam recebendo salários. As exonerações geraram uma economia anual de R$ 15,4 milhões na folha de pessoal. No total, a economia acumulada desde 2007 já alcança R$ 92 milhões. As apurações detalhadas foram possíveis após o Estado firmar parcerias com outros estados, União e prefeituras.
Mas, apesar deste esforço concentrado, o leque de gastos indevidos que ainda ocorrem no estado baiano continuam se perpetuando por grande parte da máquina estatal. Caso não haja uma integração conceitual e institucional dos entes federativos (União, Estado e municípios), ainda iremos restringir as ações do Estado a um percentual da sua real capilaridade e tamanho. A extensão da institucionalização, atraindo a sociedade civil organizada para dentro do controle do Estado, representa o único meio de fortalecer verdadeiramente os entes federados.
Por isso, o governador petista, Jaques Wagner, desde 3 de dezembro de 2007, trava uma disputa acirrada com a oposição no legislativo para aprovar a criação da Controladoria Geral do Estado da Bahia. A criação deste órgão no âmbito estadual significa extirpar da estrutura administrativa baiana uma série de práticas corrosivas, perpetuadas por décadas através de um modelo obscuro e contaminado por ingerências de ordem permissivas e fisiológicas. Nessas eleições, eleger uma bancada de maioria situacionista representa garantir a aprovação de projetos que atingem diretamente a vida dos baianos, dando condições estruturais para o Estado cobrir a população com os serviços sociais básicos, a partir do uso transparente e eficaz do erário público. Só assim iremos “extirpar o DEM da política brasileira”, combatendo o mal pela raiz.
*Sócrates Santana é jornalista.
domingo, 12 de setembro de 2010
Saudades do futuro
Socrates Santana
A Bahia está melhor. Os baianos de 2014 erradicaram o analfabetismo e o trabalho infantil. O esforço dos governos petistas alçou o estado à terceira economia do Brasil. A Ferrovia Oeste-Leste é a principal rota da produção industrial, agrícola e mineral do país. Ao lado do Porto de Aratu e de Salvador, o Porto Sul é responsável pelo o escoamento de urânio, cromo, bauxita, barita, magnesita, talco e salgema; além de cobre, bentonita, níquel, vanádio, a gipsita (gesso), ouro e diversos outros bens minerais produzidos por mais de 700 empresas instaladas em solo baiano.
Após a construção dos hospitais regionais de Juazeiro, Irecê, Santo Antônio de Jesus, Feira de Santana, Seabra e Serrinha, os leitos dos hospitais da capital baiana, a exemplo do Hospital Geral do Estado e do Subúrbio atendem baianos que residem, principalmente, em Salvador. Houve um rompimento de um ciclo vicioso de clientelismo, perpetrado pelas oligarquias políticas enraizadas no estado por décadas. Ninguém mais troca o voto pela simples disposição de uma ambulância ou carro para o transporte de pacientes enfermos. O SAMU 192 cobre 100% dos municípios no estado. A eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia atinge a excelência, atraindo pessoas e empresas de toda a parte do país e do mundo.
Hoje o empresariado encontra as condições ideais para a implantação de unidades industriais no interior. A seqüência de dois governos progressistas viabilizou o acesso a serviços básicos a população. A telefonia móvel não é privilégio de poucos, saltando de 205 municípios para 417 em todo o estado. A internet já alcança 100% das cidades. Sem contar o atendimento médico de qualidade, centros de educação profissional focados nas vocações territoriais de cada região. A Bahia alcança em 2014 a marca histórica de acesso à luz e água de qualidade através do Programa Água e Luz para Todos em todas as cidades baianas.
Com um litoral de mais de 1,2 mil km de extensão, a Bahia, por intermédio do terminal pesqueiro na Ribeira (Enseada dos Tainheiros), em Salvador, e na Enseada do Pontal, próximo à foz do Rio Cachoeira, em Ilhéus, saltou de 35 para 70 toneladas de pescados por dia em apenas quatro anos. Isso representa um faturamento bruto diário de R$ 420 mil, considerando uma média de R$ 6 kg do pescado. As embarcações possuem mais facilidade na comercialização e no processamento do pescado, beneficiando municípios do Litoral Norte, Região Metropolitana de Salvador (RMS), Recôncavo, Baixo Sul e Litoral Sul. Ocorreu uma mudança no perfil da captura de pescados na Bahia, no passado, centrada na pesca artesanal.
O número de vôos internacionais ligando a Bahia à Europa, América do Sul e América do Norte cresceu 200%, passando primeiramente de 14 para 28 freqüências semanais, alcançando em 2014 a marca de 56 vôos internacionais. A Festa da Irmandade da Boa Morte, o São João, o Carnaval, as Micaretas, o verão de Porto Seguro, a Ponte Salvador-Itaparica, a Lavagem do Bonfim, o 2 de julho, a Chapada Diamantina, as praias de Ilhéus, o Rio São Francisco viraram roteiros turísticos nacionais e internacionais, ampliando o leque de atrativos da boa terra para todo o mundo.
Ah, mas que saudade eu tenho da Bahia de 2014. Ah, Bahia que não me sai do pensamento. Que não canso de projetar nas andanças pelo semi-árido, quilombos, povos ribeirinhos e indígenas. Uma Bahia mais plural e de todos nós. Saudades do futuro dos baianos.
A Bahia está melhor. Os baianos de 2014 erradicaram o analfabetismo e o trabalho infantil. O esforço dos governos petistas alçou o estado à terceira economia do Brasil. A Ferrovia Oeste-Leste é a principal rota da produção industrial, agrícola e mineral do país. Ao lado do Porto de Aratu e de Salvador, o Porto Sul é responsável pelo o escoamento de urânio, cromo, bauxita, barita, magnesita, talco e salgema; além de cobre, bentonita, níquel, vanádio, a gipsita (gesso), ouro e diversos outros bens minerais produzidos por mais de 700 empresas instaladas em solo baiano.
Após a construção dos hospitais regionais de Juazeiro, Irecê, Santo Antônio de Jesus, Feira de Santana, Seabra e Serrinha, os leitos dos hospitais da capital baiana, a exemplo do Hospital Geral do Estado e do Subúrbio atendem baianos que residem, principalmente, em Salvador. Houve um rompimento de um ciclo vicioso de clientelismo, perpetrado pelas oligarquias políticas enraizadas no estado por décadas. Ninguém mais troca o voto pela simples disposição de uma ambulância ou carro para o transporte de pacientes enfermos. O SAMU 192 cobre 100% dos municípios no estado. A eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia atinge a excelência, atraindo pessoas e empresas de toda a parte do país e do mundo.
Hoje o empresariado encontra as condições ideais para a implantação de unidades industriais no interior. A seqüência de dois governos progressistas viabilizou o acesso a serviços básicos a população. A telefonia móvel não é privilégio de poucos, saltando de 205 municípios para 417 em todo o estado. A internet já alcança 100% das cidades. Sem contar o atendimento médico de qualidade, centros de educação profissional focados nas vocações territoriais de cada região. A Bahia alcança em 2014 a marca histórica de acesso à luz e água de qualidade através do Programa Água e Luz para Todos em todas as cidades baianas.
Com um litoral de mais de 1,2 mil km de extensão, a Bahia, por intermédio do terminal pesqueiro na Ribeira (Enseada dos Tainheiros), em Salvador, e na Enseada do Pontal, próximo à foz do Rio Cachoeira, em Ilhéus, saltou de 35 para 70 toneladas de pescados por dia em apenas quatro anos. Isso representa um faturamento bruto diário de R$ 420 mil, considerando uma média de R$ 6 kg do pescado. As embarcações possuem mais facilidade na comercialização e no processamento do pescado, beneficiando municípios do Litoral Norte, Região Metropolitana de Salvador (RMS), Recôncavo, Baixo Sul e Litoral Sul. Ocorreu uma mudança no perfil da captura de pescados na Bahia, no passado, centrada na pesca artesanal.
O número de vôos internacionais ligando a Bahia à Europa, América do Sul e América do Norte cresceu 200%, passando primeiramente de 14 para 28 freqüências semanais, alcançando em 2014 a marca de 56 vôos internacionais. A Festa da Irmandade da Boa Morte, o São João, o Carnaval, as Micaretas, o verão de Porto Seguro, a Ponte Salvador-Itaparica, a Lavagem do Bonfim, o 2 de julho, a Chapada Diamantina, as praias de Ilhéus, o Rio São Francisco viraram roteiros turísticos nacionais e internacionais, ampliando o leque de atrativos da boa terra para todo o mundo.
Ah, mas que saudade eu tenho da Bahia de 2014. Ah, Bahia que não me sai do pensamento. Que não canso de projetar nas andanças pelo semi-árido, quilombos, povos ribeirinhos e indígenas. Uma Bahia mais plural e de todos nós. Saudades do futuro dos baianos.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Deslizes a vista
Sócrates Santana*
O cheiro de morte era avassalador. No momento - um trabalhador de alívio rachado - abre uma das portas de madeira da capela do hospital. No interior, mais de uma dúzia de corpos parados em um berço de baixo e no chão, envoltos em lençóis brancos. Aqui, um punhado de cabelos grisalhos espiou para fora. Lá, um joelho foi arremessado akimbo, como se as mãos estivessem no quadril e os cotovelos curvados para fora ou dobrados. Uma mão pálida alcançada através de um vestido azul que latejava na telinha. Ao expectador coube o papel de reanimar aquelas pessoas, sentir a pulsação delas, a deriva dos milhares de desabrigados do Morro do Bumba, em Niterói.
O corredor era como um necrotério improvisado. Um médico e duas enfermeiras trataram de esvaziar gradualmente a fila. Apressaram a morte de alguns pacientes, injetando-lhes doses letais de medicamentos. O cemitério hospitalar afogou as lágrimas dos familiares, soterrados por “deslizes” do Comitê da Integração Nacional e sucessivos governos brizolistas no município. A telinha não acompanhou o que ocorreu no hospital, mas, tratava de desvelar o novo estatuto de ética dos médicos, no bloco seguinte, enquanto a fila do SUS diminuía a cada injeção.
Após alguns meses, o médico e as enfermeiras foram detidos e prestaram depoimento sobre a conexão com as mortes de quatro pacientes. A fila era bem maior. O noticiário ouviu o doutor em cadeia nacional. Diminuir a dor dos pacientes, esse foi o argumento. O processo sumiu de vista. O doutor virou candidato em 2010. Eleito, escreveu leis para refazer o estatuto de ética dos médicos e garantir imunidade aos profissionais de saúde em caso de “catástrofes”, como os deslizamentos no Rio de Janeiro. Ele defende a mudança dos padrões de assistência médica em caso de emergência. Certa vez, no plenário do Congresso Nacional, argumentou que é impossível o consentimento informado durante os desastres e que os médicos precisavam ser capazes de evacuar os pacientes mais doentes ou mais gravemente feridos.
Mas a história do que aconteceu nos dias frenéticos no Rio de Janeiro não foi totalmente contada. Muito mais pacientes foram injetados. As investigações dão conta que pelo menos 17 pacientes foram injetados com morfina ou sedativo, ou ambos, após um esforço de recuperação. A autópsia constatou que grande parte dos pacientes não corria – sequer - risco real de morte, mas, isso nunca foi divulgado. Os jornalistas não possuem acesso aos laudos, que certamente, não existem mais ou nunca existiram. Os detalhes completos, talvez, nunca sejam conhecidos.
*Sócrates Santana é jornalista e às vezes escreve textos de ficção
O cheiro de morte era avassalador. No momento - um trabalhador de alívio rachado - abre uma das portas de madeira da capela do hospital. No interior, mais de uma dúzia de corpos parados em um berço de baixo e no chão, envoltos em lençóis brancos. Aqui, um punhado de cabelos grisalhos espiou para fora. Lá, um joelho foi arremessado akimbo, como se as mãos estivessem no quadril e os cotovelos curvados para fora ou dobrados. Uma mão pálida alcançada através de um vestido azul que latejava na telinha. Ao expectador coube o papel de reanimar aquelas pessoas, sentir a pulsação delas, a deriva dos milhares de desabrigados do Morro do Bumba, em Niterói.
O corredor era como um necrotério improvisado. Um médico e duas enfermeiras trataram de esvaziar gradualmente a fila. Apressaram a morte de alguns pacientes, injetando-lhes doses letais de medicamentos. O cemitério hospitalar afogou as lágrimas dos familiares, soterrados por “deslizes” do Comitê da Integração Nacional e sucessivos governos brizolistas no município. A telinha não acompanhou o que ocorreu no hospital, mas, tratava de desvelar o novo estatuto de ética dos médicos, no bloco seguinte, enquanto a fila do SUS diminuía a cada injeção.
Após alguns meses, o médico e as enfermeiras foram detidos e prestaram depoimento sobre a conexão com as mortes de quatro pacientes. A fila era bem maior. O noticiário ouviu o doutor em cadeia nacional. Diminuir a dor dos pacientes, esse foi o argumento. O processo sumiu de vista. O doutor virou candidato em 2010. Eleito, escreveu leis para refazer o estatuto de ética dos médicos e garantir imunidade aos profissionais de saúde em caso de “catástrofes”, como os deslizamentos no Rio de Janeiro. Ele defende a mudança dos padrões de assistência médica em caso de emergência. Certa vez, no plenário do Congresso Nacional, argumentou que é impossível o consentimento informado durante os desastres e que os médicos precisavam ser capazes de evacuar os pacientes mais doentes ou mais gravemente feridos.
Mas a história do que aconteceu nos dias frenéticos no Rio de Janeiro não foi totalmente contada. Muito mais pacientes foram injetados. As investigações dão conta que pelo menos 17 pacientes foram injetados com morfina ou sedativo, ou ambos, após um esforço de recuperação. A autópsia constatou que grande parte dos pacientes não corria – sequer - risco real de morte, mas, isso nunca foi divulgado. Os jornalistas não possuem acesso aos laudos, que certamente, não existem mais ou nunca existiram. Os detalhes completos, talvez, nunca sejam conhecidos.
*Sócrates Santana é jornalista e às vezes escreve textos de ficção
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Oposição fracionada
Sócrates Santana*
Na prática, o governador Jaques Wagner acertou. A aproximação com o senador César Borges acolhia um estímulo do presidente Lula. Diga-se de passagem: Lula também queria Geddel Vieria Lima dentro da chapa de Wagner. Isso representaria a unificação do palanque nacional no estado. Mas, o peemedebista não acatou o pedido do presidente. Wagner encontrou uma nova alternativa na reabertura de diálogo com o PR. Suou, cedeu e trabalhou para esvaziar ao máximo a candidatura do principal adversário, o presidente do DEM, Paulo Souto. A missa saiu melhor que a encomenda. Wagner unificou o palanque nacional e a oposição na Bahia, numa única tacada. É a oposição em doses homeopáticas.
Apesar de não ter sido do jeito que o presidente Lula encomendou, a missa agrada a conjuntura nacional e, de quebra, resolve os problemas a vista dos partidos que compõem a atual base de sustentação do governo na Assembléia Legislativa da Bahia. Wagner afastou César Borges das hostes de Paulo Souto. Isso enfraqueceu ainda mais o palanque de José Serra na Bahia. Sobraram apenas duas alternativas para o senador republicano: Geddel ou Wagner. Mas, a partir das exigências apresentadas pelo PT, restou a César Borges cumprir com o principal acordo: manter o PR alinhado a candidatura nacional da petista Dilma Rousseff.
O clima plebiscitário estimulado pelo PT nacional e estadual é mantido. Por um lado, a candidatura de Dilma Rousseff garante Geddel, Borges e Wagner unidos. Digo, unidos pelo objetivo comum de elegerem a candidata do presidente. Por outro lado, Wagner satisfaz os anseios da centro-esquerda e enfraquece a candidatura do DEM, isolando Paulo Souto, sem PP e PR. Queiram ou não, César Borges continua representando a direita no estado. Não é, nem de longe, de centro. Por sua vez, Geddel ganha fôlego e esquece José Serra de uma vez por todas.
Por essas e outras, arrisco dizer que Wagner uniu a oposição de uma maneira que não agradou a própria oposição. O governador fragmentou as forças da oposição. Diferente de 2006, quando a oposição estava unida e afinada, em 2010 terá que disputar consigo mesma quem assume este papel. E, queiram ou não, na hora da disputa, não cabe usar uma máscara de dia e outra a noite. E apenas duas candidaturas não sofrem com essa crise de identidade no momento, que correspondem às candidaturas do DEM e do PT. Essas, sim, como água e óleo.
*Sócrates Santana é jornalista
Na prática, o governador Jaques Wagner acertou. A aproximação com o senador César Borges acolhia um estímulo do presidente Lula. Diga-se de passagem: Lula também queria Geddel Vieria Lima dentro da chapa de Wagner. Isso representaria a unificação do palanque nacional no estado. Mas, o peemedebista não acatou o pedido do presidente. Wagner encontrou uma nova alternativa na reabertura de diálogo com o PR. Suou, cedeu e trabalhou para esvaziar ao máximo a candidatura do principal adversário, o presidente do DEM, Paulo Souto. A missa saiu melhor que a encomenda. Wagner unificou o palanque nacional e a oposição na Bahia, numa única tacada. É a oposição em doses homeopáticas.
Apesar de não ter sido do jeito que o presidente Lula encomendou, a missa agrada a conjuntura nacional e, de quebra, resolve os problemas a vista dos partidos que compõem a atual base de sustentação do governo na Assembléia Legislativa da Bahia. Wagner afastou César Borges das hostes de Paulo Souto. Isso enfraqueceu ainda mais o palanque de José Serra na Bahia. Sobraram apenas duas alternativas para o senador republicano: Geddel ou Wagner. Mas, a partir das exigências apresentadas pelo PT, restou a César Borges cumprir com o principal acordo: manter o PR alinhado a candidatura nacional da petista Dilma Rousseff.
O clima plebiscitário estimulado pelo PT nacional e estadual é mantido. Por um lado, a candidatura de Dilma Rousseff garante Geddel, Borges e Wagner unidos. Digo, unidos pelo objetivo comum de elegerem a candidata do presidente. Por outro lado, Wagner satisfaz os anseios da centro-esquerda e enfraquece a candidatura do DEM, isolando Paulo Souto, sem PP e PR. Queiram ou não, César Borges continua representando a direita no estado. Não é, nem de longe, de centro. Por sua vez, Geddel ganha fôlego e esquece José Serra de uma vez por todas.
Por essas e outras, arrisco dizer que Wagner uniu a oposição de uma maneira que não agradou a própria oposição. O governador fragmentou as forças da oposição. Diferente de 2006, quando a oposição estava unida e afinada, em 2010 terá que disputar consigo mesma quem assume este papel. E, queiram ou não, na hora da disputa, não cabe usar uma máscara de dia e outra a noite. E apenas duas candidaturas não sofrem com essa crise de identidade no momento, que correspondem às candidaturas do DEM e do PT. Essas, sim, como água e óleo.
*Sócrates Santana é jornalista
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